O interesse estratégico dos Estados Unidos em terras raras alterou a postura de Washington em relação ao Brasil, segundo Brian Winter, vice-presidente de políticas da Americas Society/Council of the Americas. A análise contrapõe a narrativa de "química" entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, focando no contexto global da disputa por esses minerais essenciais com a China.
Winter destacou que, embora o tema das terras raras possa soar "conspiratório" no Brasil, ele foi crucial para o aquecimento das relações bilaterais e para o tom positivo do recente encontro entre os líderes.
"Não acho que tenha sido coincidência que essa reunião na Casa Branca tenha acontecido uma semana antes da viagem do presidente [Donald Trump] a Pequim", afirmou Winter, ressaltando a importância estratégica das terras raras como ponto de influência chinesa sobre os EUA.
O vice-presidente da Americas Society alertou que o Brasil precisa agilizar seus processos de licenciamento e extração, que atualmente podem levar até dez anos. "Sei que há urgência no Congresso brasileiro, mas espero que isso continue nos próximos meses para que o Brasil possa realmente aproveitar essa oportunidade que claramente possui", disse.
Thomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil, corroborou a visão de que as negociações comerciais vão além da percepção de superávit. Ele apontou que a "hostilidade real" em partes do governo americano contra o Brasil motivou a disputa tarifária, mas ressaltou que a decisão final caberá ao presidente Trump.