O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira (10) a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. A confirmação ocorreu em votação apertada, com 54 votos a favor e 45 contra, refletindo a polarização política no país.
Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, assume o comando da política monetária dos EUA em um momento de desafios econômicos, incluindo pressões inflacionárias e questionamentos sobre a independência da instituição.
A margem de aprovação foi a menor já registrada para um chefe do Fed, com apenas um senador democrata rompendo a linha partidária para votar a favor de Warsh. Tradicionalmente, as indicações para o Fed recebiam apoio bipartidário.
Democratas expressaram preocupação de que Warsh possa ceder às pressões de Trump por cortes nas taxas de juros, especialmente em meio a tensões geopolíticas e à alta nos preços do petróleo.
A nomeação de Warsh ocorre após um relatório indicar a maior taxa de inflação em três anos nos EUA, elevando as preocupações do mercado sobre a trajetória da política monetária.
Durante sua sabatina no Senado, Warsh assegurou que atuará com independência, apesar de ter defendido publicamente juros mais baixos nos últimos meses, o que contrasta com sua reputação anterior como um defensor de políticas monetárias mais restritivas.
O antecessor de Warsh, Jerome Powell, também indicado por Trump, enfrentou pressões semelhantes do presidente, mas manteve a autonomia do Fed. Powell permanecerá no conselho do banco central após o fim de seu mandato como presidente.
A autonomia do Fed, tradicionalmente independente da Casa Branca, tem sido um ponto de debate, com críticos apontando para tentativas do governo de influenciar as decisões da instituição.
Warsh, que já integrou o conselho de diretores do Fed entre 2006 e 2011, foi preterido por Trump para o cargo máximo em 2017, quando Powell foi escolhido.
A composição do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), responsável pela definição das taxas de juros, é composta por 12 membros, o que significa que a política monetária do Fed é definida por voto majoritário, não apenas pela decisão do presidente.
A confirmação de Warsh ocorreu após o senador Thom Tillis retirar seu bloqueio às indicações para o Fed, após o Departamento de Justiça encerrar uma investigação sobre Powell.