A senadora Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem em empate técnico em nova pesquisa eleitoral, com 41% e 42% das intenções de voto, respectivamente, no cenário de segundo turno. A pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (13/05/2026), foi recebida com alívio pela equipe de Flávio, que temia um impacto negativo da operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Integrantes da pré-campanha de Flávio avaliaram que a operação causou apenas um "ruído" na articulação política com a federação União-PP, mas não afetou a construção da candidatura presidencial do PL. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, Flávio tinha 42% e Lula, 40%.
A equipe de Flávio expressou preocupação com a possibilidade de a operação envolvendo Ciro, que foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, desgastar o campo da direita. Havia o temor de que o caso Master fosse associado ao grupo político do senador e transformado em um ativo eleitoral contra o PL.
A leitura atual é que o governo conseguiu aliviar a pressão sobre Lula, transferindo parte do desgaste para a oposição, mas sem obter uma vantagem eleitoral consistente. A equipe de Flávio atribui a oscilação em favor de Lula à melhora na avaliação do governo, com a aprovação subindo de 43% para 46% e a desaprovação caindo de 52% para 49%. O relançamento do Desenrola e a repercussão positiva do encontro de Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump, são apontados como fatores que ajudaram a interromper uma sequência de desgaste do presidente.
O senador Rogério Marinho (PL-RJ), coordenador político de Flávio, afirmou que a rejeição a Lula é "cristalizada" e que a pesquisa demonstra um candidato competitivo. "Nós temos um candidato muito competitivo e estamos animados com o resultado", disse.
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL-RJ), aliado de Flávio, acusou o PT de tentar transferir o desgaste das investigações sobre o Banco Master para o bolsonarismo. "Flávio não tem nada a ver com as questões pessoais do Ciro e vamos dar a presunção de inocência a ele", declarou.
Desde o início da crise, Flávio adotou uma estratégia de distanciamento em relação a Ciro. Em nota divulgada horas após a operação da PF, o senador classificou as informações como "graves" e defendeu uma "ampla apuração" conduzida pelo ministro André Mendonça. A postura foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de separar sua pré-candidatura do desgaste do caso Master, sem romper politicamente com a federação União-PP, considerada estratégica para o projeto presidencial do PL. No entanto, a atitude gerou incômodo em setores do Centrão e entre aliados de Ciro, que consideraram exagerado o esforço de afastamento.