O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a recente reunião de três horas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, como um encontro pautado por respeito e deferência mútua. Os líderes abordaram temas cruciais como relações comerciais, combate ao crime organizado internacional e a exploração de minerais estratégicos.
Durante a conversa inicial, os presidentes compartilharam detalhes de suas trajetórias pessoais. Trump expressou surpresa ao saber da infância de Lula, incluindo o fato de ter comido pão pela primeira vez aos sete anos, e sua ascensão sem diploma universitário, apesar da expansão das universidades federais em seus governos. A prisão de Lula também foi um ponto de comoção, especialmente a recusa do presidente brasileiro em aceitar medidas alternativas à prisão para provar sua inocência.
Durigan destacou a franqueza do diálogo e a admiração mútua. "A conversa foi muito franca e eu fiquei muito impressionado com o nível de deferência do presidente Trump ao presidente Lula", afirmou o ministro. A interação buscou estabelecer proximidade antes das negociações formais.
Na pauta econômica, o Brasil contestou a alegação de déficit comercial com os EUA, argumentando que as compras de serviços, tecnologia e produtos americanos favorecem a economia dos Estados Unidos. O país defendeu não ser alvo de tarifas, como as impostas à China, visto que a relação comercial é favorável aos norte-americanos.
O combate ao crime organizado transnacional foi outro foco. Lula propôs ampliar a cooperação para rastrear recursos financeiros de facções criminosas, incluindo lavagem de dinheiro em paraísos fiscais e estruturas empresariais nos EUA, como em Delaware. O Brasil também apresentou dados indicando que a maioria das armas ilegais apreendidas no país tem origem nos Estados Unidos. O avanço de drogas sintéticas e a proposta de integrar Receita Federal e aduana americana para rastreamento financeiro foram outros pontos discutidos.
A exploração de minerais estratégicos, como nióbio, grafeno e terras raras, essenciais para a tecnologia e transição energética, também esteve em pauta. Lula enfatizou a soberania brasileira e o incentivo à industrialização local, contrastando com a exportação de matéria-prima. "Se você é ‘América em primeiro lugar’, eu estou aqui dizendo que o Brasil está em primeiro lugar", disse Lula, alinhando-se ao discurso nacionalista de Trump, mas defendendo os interesses brasileiros.
A guerra no Oriente Médio e os riscos econômicos globais também foram abordados, com Lula expressando preocupação com os impactos no Brasil. Apesar da seriedade dos temas, o encontro foi marcado por momentos de descontração, como a reclamação de Trump sobre frutas em sua salada, o que, segundo o governo brasileiro, ajudou a criar um ambiente propício para futuras negociações.
Fonte: Agência Brasil