O engenheiro Raimundo Neto Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), está sob investigação da Polícia Federal. A apuração envolve o recebimento de recursos do Banco Master e a participação em empresas ligadas ao senador, além do exercício de cargos públicos por indicação de Ciro.
Raimundo Neto Nogueira é administrador de empresas como a CN Petróleo e a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis, ambas com nomes que remetem ao senador. Ele também é sócio da Construtora Torre, frequentemente associada ao grupo político de Ciro.
Desde 2009, essas empresas firmaram contratos com a prefeitura de Teresina, totalizando R$ 67,5 milhões, durante as administrações de aliados de Ciro Nogueira, incluindo Silvio Mendes, Elmano Férrer e Firmino Filho. Os contratos referem-se a obras de pavimentação, locação de imóveis e fornecimento de combustível.
A investigação da PF apura se a aquisição de parte da Green Investimentos pela CNLF Empreendimentos Imobiliários, empresa do senador, por R$ 1 milhão – valor considerado muito inferior ao de mercado pela polícia – foi um meio para o pagamento de vantagens indevidas a Ciro Nogueira.
Em nota, o senador Ciro Nogueira negou as acusações, classificando-as como uma tentativa de manchar sua honra pessoal em meio à campanha eleitoral.
O nome de Raimundo Neto Nogueira também esteve em um inquérito anterior da PF em 2013, que investigava suposto desvio de recursos públicos envolvendo uma locadora de automóveis. Na época, Ciro Nogueira e sua ex-mulher, Iracema Portella, negaram irregularidades no uso de cotas parlamentares.
A passagem de Raimundo pela presidência da Agespisa, autarquia de água e esgoto do Piauí, entre 2011 e 2012, também foi marcada por controvérsias, incluindo contratações irregulares de empresas de informática. Ele renunciou ao cargo após sugerir a privatização de parte do serviço de abastecimento de água.