Políticos de direita e influenciadores digitais usaram redes sociais para disseminar narrativas falsas sobre o Projeto de Lei da Misoginia. Um estudo do Observatório Lupa identificou a circulação de conteúdos enganosos, teorias conspiratórias e vídeos criados com inteligência artificial para atacar o PL, aprovado pelo Senado em março.
Entre 24 de março e 30 de abril, mais de 289 mil publicações no X, além de milhares em outras plataformas, foram analisadas. O pico de desinformação ocorreu em 25 de março, impulsionado por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que associou o PL da Misoginia a outro projeto de lei. O vídeo alcançou 751 mil visualizações em 24 horas.
As narrativas falsas incluíam alegações de que o projeto restringiria a liberdade de expressão, criminalizaria o ato de perguntar a uma mulher se ela está com TPM ou provocaria demissões em massa. Conteúdos com inteligência artificial sugeriam que empresários demitiriam mulheres para evitar processos.
Entre os influenciadores da desinformação estão Nikolas Ferreira, o senador Flávio Bolsonaro (PL), o vereador Lucas Pavanato (PL), o comentarista Caio Coppola e a influenciadora Babi Mendes. Termos como "redpill" e menções irônicas a aplicativos de transporte foram associados à disseminação de medo.
O estudo ressalta que o PL 896/2023 define misoginia como conduta que exterioriza ódio ou aversão às mulheres, visando combater práticas discriminatórias que gerem constrangimento, humilhação, medo ou exposição indevida em razão do gênero. A desinformação distorce o debate ao ignorar o contexto central da proposta.