Ir para o conteúdo

domingo, 18 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

INOVAÇÃO

Designer de brinquedos: Crianças desafiam certezas e ensinam sobre o mundo físico

João Wilbert, designer renomado e diretor de invenção do brincar na Lego Creative Play Lab, alerta sobre a importância do brincar físico em um mundo digital. Ele participará do Rio2C para discutir como brinquedos tradicionais podem manter seu apelo e a conexão com o aprendizado.

Compartilhe
WhatsApp
Designer de brinquedos: Crianças desafiam certezas e ensinam sobre o mundo físico

O artista e designer João Wilbert, que explora o futuro do brincar no Lego Creative Play Lab, em Londres, participará do Rio2C, evento de inovação que ocorrerá na Cidade das Artes, de 26 a 31 de maio. Wilbert ministrará oficinas sobre prototipagem e pensamento experimental, focando na importância do toque e da construção manual em contraste com a era digital.

Em entrevista ao GLOBO, Wilbert destacou que brinquedos físicos oferecem uma conexão insubstituível entre corpo, imaginação e mundo, algo que as interfaces digitais não conseguem replicar. Ele explicou que a tátilidade e o envolvimento de múltiplos sentidos no brincar físico são cruciais para o aprendizado, como defendido por Piaget e Montessori.

Wilbert abordou o desafio de tornar os brinquedos físicos atraentes frente à competição com games e inteligência artificial. Ele apontou que, enquanto os algoritmos digitais visam a retenção, o design de brinquedos educativos e interativos pode criar um ciclo de ação e resposta no mundo físico, sem a necessidade de telas. Contudo, admitiu que a velocidade de evolução e a produção de conteúdo digital tornam a competição desigual.

O designer ressaltou as barreiras de produção para brinquedos físicos, que incluem design industrial, fabricação e distribuição, em contraste com a facilidade da criação de conteúdo digital. Ele vê a indústria de open source, o movimento maker e a fabricação pessoal como respostas tecnológicas que auxiliam a indústria física a competir.

O processo de criação de um brinquedo, da ideia ao produto, pode levar até quatro anos, envolvendo pesquisa, prototipagem, testes e iteração. Wilbert enfatizou que as crianças são fundamentais nesse processo, pois desafiam as certezas dos designers com suas formas inesperadas de interagir com os objetos. Ele alertou que a tecnologia não deve tirar o poder de decisão da criança, ressaltando a importância de preservar o espaço e o tempo do brincar físico como um período criativo e de aprendizado essencial.

Para Wilbert, a gamificação, com seu foco em feedback loop e pontuação, pode ser prejudicial quando aplicada fora do contexto dos games, como na quantificação do comportamento humano por seguradoras. Ele imagina que, apesar das mudanças nos meios e na interatividade impulsionadas pela tecnologia, formas universais de brincar como imaginar e correr continuarão a existir.

O designer também defendeu a proteção do espaço e do tempo de brincar da criança, considerando-o um período em que o cérebro está no ápice criativo e de aprendizado. Ele vê o brincar físico como uma forma de preservar o potencial criativo infantil e oferece um espaço mais seguro e familiar em comparação com o conteúdo digital, cujo controle pode ser perdido.

Leia também