João Wilbert, artista e designer com passagens por instituições como Fabrica (Benetton), MIT Media Lab e Google Creative Lab, alerta para os riscos do uso excessivo de telas e inteligência artificial na infância. Em sua participação no Rio2C, evento de inovação que ocorre no Rio de Janeiro de 26 a 31 de maio, Wilbert discutirá como o design de brinquedos pode oferecer alternativas ao mundo digital.
Com base em Londres, onde lidera o Lego Creative Play Lab, Wilbert defende a importância do brincar físico e da interação tátil para o desenvolvimento infantil. "Quando saímos do mundo físico, tridimensional, e vamos para uma interface codificada, bidimensional, perdemos uma das maiores capacidades do corpo, que é aprender pelas mãos", afirma.
O designer critica a gamificação excessiva e os algoritmos criados para prender a atenção, tanto de crianças quanto de adultos. Ele propõe que a interatividade em brinquedos vá além das telas, com objetos físicos que promovam ação e resposta, estimulando a criatividade e o aprendizado. "Interatividade não significa tela. Interatividade é ação e resposta, um feedback loop", explica.
Wilbert ressalta que o processo de criação de um brinquedo físico é complexo, envolvendo design, produção e distribuição, o que o torna menos ágil que o desenvolvimento de conteúdo digital. No entanto, ele vê esperança na indústria de open source, no movimento maker e na fabricação pessoal como formas de impulsionar a indústria física.
A entrevista abordou ainda a importância de proteger o espaço e o tempo de brincar da criança, considerando-o um período de pico criativo e de aprendizado. Wilbert defende que o brincar físico é essencial para o desenvolvimento sensorial e cognitivo, e que as telas, quando usadas em excesso, podem limitar essa experiência. "A tela encurta esse tempo precioso de contato com o mundo físico e sensorial", conclui.
Fonte: O Globo