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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

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SAÚDE PÚBLICA

Vice de Nunes defende Ypê apesar de alerta sanitário

Vice-prefeito de SP, Mello Araújo, defende marca de produtos de limpeza apesar de alerta sanitário da Anvisa e CVS-SP. Declaração minimiza riscos e sugere "perseguição" à empresa.

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Vice de Nunes defende Ypê apesar de alerta sanitário

O vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo, defendeu publicamente o uso de produtos da Ypê em vídeo divulgado nas redes sociais. A declaração ocorre após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo (CVS-SP) identificarem risco sanitário em lotes específicos da marca. Araújo classificou as restrições como uma "sacanagem" contra a empresa.

Na quinta-feira (7 de maio de 2026), a Anvisa alertou sobre produtos de lotes terminados em 1, recomendação endossada pelo CVS-SP. "Aqui em casa, gente, é só produto Ype. Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com uma empresa 100% brasileira. Vamos nos supermercado e comprar produtos Ype", afirmou o vice-prefeito, incentivando o público a compartilhar suas compras nas redes sociais.

A inspeção que levou à interdição de uma linha de produção da Ypê em Amparo (SP) apontou, pela segunda vez, contaminação de produtos por micro-organismos. Falhas de higiene e a possível contaminação da água utilizada no processo foram relatadas por fiscais. A empresa de produtos de limpeza, incluindo detergentes, desinfetantes e sabão em pó, enfrenta investigação.

A fala de Araújo ecoa o discurso de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que sugerem perseguição política à Ypê. A família Beira, proprietária da Ypê, doou R$ 1,5 milhão para a campanha de Bolsonaro em 2022.

Apesar de um recurso da Ypê ter suspendido temporariamente a decisão da Anvisa, o CVS-SP manteve sua orientação para que os consumidores evitem os produtos. A inspeção conjunta do CVS-SP e da Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo) identificou falhas consistentes na resolução de problemas pela companhia, conforme relatado pelo diretor do CVS-SP, Manoel Lara.

A contaminação inicial, detectada em novembro de 2025, envolveu a bactéria Pseudomonas aeruginosa, que representa risco para pessoas com baixa imunidade, especialmente em infecções pulmonares e hospitalares. "Na inspeção foram detectadas falhas nas boas práticas de processamento de produtos. Tinha tanto falhas documentais quanto falhas relacionadas à questão de higiene e limpeza das áreas de produção", explicou Lara, indicando a possível ligação com a contaminação.

A origem exata da contaminação ainda é incerta. O CVS-SP informou que, em casos similares, rompimentos na rede de esgoto podem contaminar reservatórios de água. No entanto, essa hipótese não foi confirmada na fábrica da Ypê. "Tinha acúmulo de sujidades no ambiente, no piso, em cima de tubulações e máquinas, com poeira, o que demonstrava uma falha na questão de limpeza", concluiu Lara, ressaltando o ambiente de produção inadequado.

Fonte: G1

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