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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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ECONOMIA

Operação da PF revela esquema que poderia colocar FGC em risco

Operação da PF revela suspeita de que senador Ciro Nogueira teria recebido propina para apresentar emenda que aumentaria limite de cobertura do FGC. Especialistas alertam para risco à estabilidade do sistema financeiro.

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Operação da PF revela esquema que
poderia colocar FGC em risco

A Polícia Federal deflagrou na última quinta-feira (7) a 5ª fase da Operação Compliance Zero, expondo um plano que visava ampliar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da operação, é suspeita de ter sido elaborada a pedido do Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo as investigações, a emenda, apelidada de "Emenda Master", foi redigida por assessores do banco e entregue a Nogueira, que a apresentaria como de sua autoria. Em troca, o senador receberia pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de despesas com viagens internacionais e hospedagens.

A emenda foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por inconstitucionalidade e inadequação técnica. O relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), argumentou que a proposta contraria o modelo de proteção financeira e engessa a legislação.

Especialistas alertam que a aprovação da emenda poderia comprometer a estabilidade do FGC. O economista William Baghdassarian, do Ibmec, prevê que o aumento do limite encareceria tarifas bancárias e juros de empréstimos, além de criar um "risco moral" ao incentivar instituições a assumirem mais riscos sob a falsa sensação de segurança.

Cesar Bergo, professor da UnB, concorda que a elevação do limite ameaçaria o FGC. Ele aponta que, mesmo com o teto atual, o Banco Master já causou um prejuízo significativo ao fundo, e um limite maior poderia levar ao colapso do sistema. Bergo critica a distorção da emenda, que usaria recursos coletivos para proteger investidores de alta renda, contrariando o princípio de que maior risco deve corresponder a maior retorno.

Em nota divulgada por seus advogados, o senador Ciro Nogueira negou participação em atividades ilícitas e afirmou que colaborará com a Justiça. A defesa criticou a "precipitação" das medidas investigativas baseadas em trocas de mensagens.

Fonte: Agência Brasil

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