Um novo relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) contradiz a versão oficial de acidente automobilístico e aponta o ex-presidente Juscelino Kubitschek como vítima de assassinato pela ditadura militar em 1976. O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, baseia-se em provas que já eram públicas, incluindo um laudo do perito Sergio Ejzenberg, contratado pelo Ministério Público Federal.
O laudo de Ejzenberg, concluído em 2019, contesta análises anteriores e rejeita a hipótese de que o Opala em que JK estava tenha colidido com um ônibus. A perícia sugere que o veículo perdeu o controle devido a ação externa, como sabotagem ou disparo de arma de fogo.
A ditadura militar sempre sustentou a tese de acidente, alegando que o carro foi atingido por um ônibus. No entanto, comissões estaduais da Verdade já haviam levantado a hipótese de atentado político.
O caso da morte de JK foi reaberto em fevereiro de 2025 pelo governo Lula. O relatório da CEMDP, com mais de 5 mil páginas, será analisado pelos conselheiros da comissão antes de ser divulgado aos familiares das vítimas.
A CEMDP, criada em 1995, tem como objetivo reconhecer pessoas mortas ou desaparecidas por razões políticas entre 1961 e 1988, buscar seus corpos e emitir pareceres sobre os requerimentos de familiares.