Ir para o conteúdo

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA

PL de Minerais Críticos Gera Críticas de Municípios e Especialistas

Associações de municípios e especialistas criticam o PL dos Minerais Críticos, aprovado na Câmara, alegando que a proposta favorece a exportação de matéria-prima e falha em promover a industrialização nacional, além de levantar preocupações ambientais e de fiscalização.

Compartilhe
WhatsApp
PL de Minerais Críticos Gera Críticas de Municípios e Especialistas

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (Amig Brasil) e especialistas em mineração criticaram o projeto de lei (PL) 2780/2024, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A matéria, aprovada na Câmara dos Deputados, segue para análise do Senado.

Enquanto mineradoras privadas elogiaram a proposta, a Amig Brasil alega que o texto falha em promover a industrialização desses minerais no país, incluindo as terras raras. Analistas do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) concordam, apontando que o PL aprofunda o papel do Brasil como exportador de matéria-prima.

O Inesc critica o acesso preferencial ao Fundo Clima, o uso de recursos públicos para minerais não críticos e a excessiva financeirização. A associação de municípios também manifestou preocupação com a falta de estrutura regulatória e fiscalização adequada, questionando os mecanismos de industrialização local e a compensação ambiental.

O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas produz menos de 1% do consumo global. A Amig Brasil teme os impactos ambientais da exploração, citando a alta demanda hídrica e a irrisória compensação financeira.

O Ibram, que representa as mineradoras, defende o texto e os incentivos fiscais e de financiamento, mas critica a intervenção estatal prevista no Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE).

O PL prevê a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) com recursos públicos e privados, além de benefícios fiscais. Especialistas alertam que os fundos podem ser desviados para extração em vez de industrialização, com mecanismos de financeirização que podem prejudicar o país.

A Agência Nacional de Mineração (ANM) também é apontada como subfinanciada para lidar com as novas obrigações impostas pelo projeto.

Leia também