A nota do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a operação da Polícia Federal (PF) contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) gerou desconforto em aliados de Nogueira e aumentou a cautela nos bastidores do Centrão em relação à aliança com o bolsonarismo para as eleições deste ano. Parlamentares do PP e União Brasil, em conversas reservadas, interpretaram a manifestação de Flávio como uma tentativa de distanciamento em um momento delicado para Ciro, aliado histórico do grupo bolsonarista e ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro.
Em nota oficial, Flávio Bolsonaro classificou as informações sobre o caso como "graves" e defendeu apuração "com rigor e transparência", elogiando o ministro André Mendonça (STF), que autorizou a operação. A reação desagradou aliados de Ciro, que esperavam uma demonstração de solidariedade política.
Um membro da cúpula do União Brasil considerou a fala de Flávio como um "abandono político" e avaliou que o filho do ex-presidente "largou total a mão do Ciro". A investigação já preocupa a federação União-PP, que pode adotar uma postura mais reservada. A avaliação é que a investigação pode atingir outros dirigentes partidários, além de Ciro e Antonio Rueda, presidente do União Brasil, que também é citado em conversas.
A representação da PF detalha supostas vantagens indevidas entre Ciro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, incluindo pagamentos mensais, custeio de viagens e hospedagens. Um emenda para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, supostamente redigida dentro do Banco Master e enviada ao senador, é um dos pontos centrais da investigação.
Apesar do episódio, um interlocutor ligado à federação União-PP pondera que a relação entre o Centrão e o bolsonarismo continuará condicionada ao cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, o Centrão prioriza alianças com quem está em ascensão política. Em momentos de crise, a tendência é a preservação individual, e Ciro Nogueira já negou envolvimento no caso, afirmando que renunciaria ao mandato se alguma prova surgisse.
Integrantes do PP e o próprio partido divulgaram notas defendendo o devido processo legal e a confiança nas instituições. Colegas de partido de Ciro, como o senador Dr. Hiran (PP-RR), pediram que as investigações sigam seu curso. Parlamentares do Centrão admitem que a reação do PL reforçou a percepção de que o núcleo bolsonarista tende a se distanciar de aliados em momentos de desgaste. Setores da base governista veem o episódio como um possível ponto de inflexão na relação entre Centrão e bolsonarismo, expondo fissuras na aliança para 2026.