A Polícia Federal solicitou a transferência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, de volta para o presídio federal de Brasília. Atualmente, Vorcaro está detido na superintendência da PF no Distrito Federal. O pedido aguarda decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A solicitação, feita em 24 de abril, precede a entrega de uma proposta de delação premiada por parte da defesa de Vorcaro à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Investigadores expressaram insatisfação com a demora na apresentação de detalhes por parte do banqueiro, considerando insuficientes as informações preliminares.
A PF indicou que não firmará acordo de colaboração sem a entrega de informações inéditas sobre irregularidades do Banco Master. A proposta de delação, segundo a coluna de Malu Gaspar, não abrange pagamentos mensais de até R$ 500 mil que Vorcaro teria feito ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Tais valores seriam uma contrapartida pela atuação do senador em favor dos interesses do banqueiro.
Essas informações constam em decisão de Mendonça que autorizou mandados de busca e apreensão contra Ciro Nogueira na nova fase da Operação Compliance Zero. A defesa do senador repudiou as ilações de ilicitude e afirmou que ele está à disposição da Justiça.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, sob suspeita de tentar fugir para Dubai. A Operação Compliance Zero apura um esquema de fraudes no Banco Master estimado em R$ 12 bilhões. No dia seguinte à prisão de Vorcaro, o Banco Central liquidou o banco por crise de liquidez.
O banqueiro foi liberado no fim de novembro de 2025. Em dezembro, o ministro Dias Toffoli, do STF, acatou pedido da defesa e remeteu o caso ao Supremo, decretando sigilo máximo. Em fevereiro de 2026, Toffoli deixou o caso após menções em seu celular serem encontradas, sendo substituído por André Mendonça. Em março, Mendonça determinou a nova prisão de Vorcaro, a pedido da PF, que o apontou como líder de organização criminosa.
Fonte: O Globo