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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

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Artes Marciais Históricas Europeias ganham adeptos na América do Sul

Artes Marciais Históricas Europeias (Hema) combinam pesquisa histórica e esporte de combate, ganhando popularidade no Brasil e Argentina. Saiba mais!

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Artes Marciais Históricas Europeias ganham adeptos na América do Sul

Um esporte inspirado na Idade Média, as Artes Marciais Históricas Europeias (Hema), está conquistando adeptos na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina. A prática resgata sistemas de combate europeus documentados entre os séculos XII e XX, utilizando equipamentos de proteção modernos e simuladores de armas.

Diferente de outras artes marciais, a Hema é um sistema reconstruído a partir de tratados históricos. Praticantes interpretam manuais de mestres de armas para aplicar técnicas de combate com espadas, sabres e outras armas.

Em novembro, São Paulo sediou o Torneio Nacional de Esgrima Histórica, com modalidades como Espada Longa e Sabre Militar. No Rio de Janeiro, aulas abertas são realizadas em locais como a Enseada de Botafogo.

A Hema combina pesquisa histórica com atividade física. Uma publicação da Escola de Esgrima medieval do Rio de Janeiro descreve a prática como "Um vicio para quem gosta de história, medievalismo e espadas!".

Manuais de mestres como Fiore dei Liberi e Johannes Liechtenauer são a base da Hema. Johannes Liechtenauer, do século XIV, compilou seu sistema em um poema enigmático para preservar o conhecimento.

Marcos Rodríguez Peluso, instrutor argentino, explica que a esgrima na Europa era integrada à sociedade. "São essas fontes que nossa disciplina estuda, traduz e recria em um ambiente moderno e seguro", afirma.

O ressurgimento global da Hema ocorreu nos anos 2000 com a internet. Plataformas como a Wiktenauer compartilham manuais digitalizados, facilitando a prática por entusiastas em todo o mundo.

A espada longa é a arma mais popular na Hema, utilizada em combates dos séculos XIV a XVI. Espadas de treino pesam entre 1,3 e 1,8 quilos e usam versões sem fio para segurança.

O repertório inclui também sabres, espadas de esgrima e a combinação de espada e broquel (escudo).

Na Argentina e no Brasil, a Hema se consolidou no final da década de 2010. A Associação Brasileira de Esgrima Histórica (Abeh) promove torneios desde 2023.

O treinamento envolve aquecimento físico, interpretação de fontes históricas e prática de técnicas. O combate controlado, ou sparring, valida a eficácia das manobras.

"Se o oponente precisa ‘ajudar’ para que uma técnica funcione, a interpretação está incorreta e deve ser revisada", ressalta Peluso.

O uso de máscaras reforçadas, jaquetas acolchoadas e luvas garante a segurança durante o combate.

Além dos benefícios físicos, como coordenação e reflexos, a Hema desenvolve o pensamento estratégico e a capacidade de análise sob pressão. O maior valor, no entanto, é o senso de pertencimento e camaradagem entre os praticantes.

Não é necessária experiência prévia e os equipamentos podem ser adquiridos gradualmente.

"O maior benefício é no nível humano", conclui o instrutor, destacando a cumplicidade que se estende para além dos treinos.

Fonte: O Globo

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