O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, declarou nesta quarta-feira (7) que "não tem que esperar nada" do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A declaração surge após a rejeição da indicação de Jorge Messias para o STF, um revés que intensificou a crise política entre o Planalto e o Congresso durante o terceiro mandato de Lula.
Questionado sobre a expectativa de um gesto do governo após a votação que barrou a indicação do Advogado-Geral da União, Alcolumbre respondeu com firmeza. Ao ser indagado se Lula faria uma nova indicação ao STF ainda este ano, ele repetiu a mesma resposta, demonstrando um distanciamento claro.
A fala de Alcolumbre ocorre em meio às tentativas do governo de reverter o quadro e reconstruir a relação com o Congresso. Ministros como José Múcio e José Guimarães já se reuniram com o presidente do Senado na tentativa de amenizar os ânimos.
A rejeição de Messias, um dos aliados próximos de Lula, aconteceu após meses de desgaste político e articulações nos bastidores. No governo, a derrota foi vista como uma demonstração de força de Alcolumbre e aprofundou o mal-estar entre o senador e o Palácio do Planalto. Aliados de Lula atribuem ao presidente do Senado um papel decisivo na articulação que culminou na rejeição do nome. Senadores relatam que Alcolumbre não apenas deixou de atuar a favor de Messias, como também trabalhou ativamente contra a indicação junto a parlamentares de partidos como MDB, PSD, União Brasil e PP.
A crise entre o Planalto e o presidente do Senado se acumulava desde o ano passado. Lula teria decidido indicar Messias para a vaga no STF sem comunicar previamente Alcolumbre, que, segundo relatos, defendia reservadamente o nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, para a cadeira.