O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que ainda não abordou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva as indicações pendentes para a diretoria do Banco Central (BC). Em entrevista ao programa Roda Viva, Durigan explicou que sua recente nomeação e as prioridades da pasta, como a crise internacional e o programa Desenrola, o impediram de tratar do assunto.
A diretoria do BC está com duas vagas em aberto, e a falta de nomeações atrasa outras indicações importantes para órgãos como a CVM e o Cade. A indefinição se intensificou após a rejeição de Jorge Messias para o STF, que travou o fluxo de nomeações presidenciais.
Durigan mencionou que o nome de Guilherme Mello, inicialmente indicado pelo Ministro Fernando Haddad, está inviabilizado, pois Mello assumiu novas funções como secretário-executivo do Ministério do Planejamento e presidente do conselho da Petrobras. O mercado financeiro e o próprio BC demonstraram insatisfação com a indicação de Mello.
A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta terça-feira contou com a assinatura de apenas cinco diretores, além do presidente Gabriel Galípolo, evidenciando o corpo diretivo desfalcado. O diretor Rodrigo Teixeira esteve ausente por motivo pessoal.
Paralelamente, o Banco Central enfrenta dificuldades orçamentárias enquanto aguarda a aprovação da PEC que garante autonomia financeira, orçamentária e administrativa. A votação da proposta no Senado foi adiada pelo presidente da CCJ, Otto Alencar, que defende discussão presencial dos senadores.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia solicitado apoio do Legislativo para a aprovação da PEC em abril, durante sua sabatina na CPI do Crime Organizado, destacando a necessidade de equiparar o BC brasileiro ao padrão internacional.