Longe do cenário de praias ensolaradas, surfistas buscam ondas perfeitas no Mar de Barents, no extremo norte da Noruega. O local desafia os atletas com temperaturas que chegam a -20°C, gelo e escuridão.
O surfista Dylan Graves descreveu a experiência como estar em um "planeta de gelo de 'Star Wars'". Ele e outros enfrentaram um vórtice polar que fez a temperatura despencar drasticamente. O grupo precisou caminhar por mais de uma hora na neve para alcançar o mar.
Graves, que apresenta a série "Weird Waves", admitiu ter chegado perto de queimaduras pelo frio extremo e combinou com os colegas que, sem recuperação da sensibilidade em 30 minutos, iria ao hospital. A sensação retornou durante a caminhada de volta, no fim da pouca luz do dia em Finnmark.
Para o surfista sueco Tim Latte, o frio intenso é parte do encanto. Ele descobriu o potencial do surfe na Noruega após anos acreditando que precisaria ir para destinos como Austrália ou Portugal. Latte vê a região como um território "praticamente por descobrir", com o inverno como a melhor temporada.
Além das ondas e da ausência de multidões, a região oferece uma experiência cultural única com o povo indígena Sami, conhecido pela criação de renas. Graves destacou que o contato com essa realidade tornou a viagem ainda mais marcante, citando um presente de boas-vindas dos anfitriões do Airbnb.
O surfe no Ártico, para Graves, é uma forma de se confrontar com o desconhecido e sair da zona de conforto. "O surfe ensina muito isso. Muitas vezes estamos quase em outro mundo", afirmou.
Fonte: O Globo