Ir para o conteúdo

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA E GEOPOLÍTICA

Guerra no Oriente Médio eleva a importância da segurança energética global

Conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo forçam reavaliação da segurança energética global. Brasil se beneficia de matriz renovável, mas enfrenta riscos de inflação e dependência de GNL.

Compartilhe
WhatsApp
Guerra no Oriente Médio eleva a importância da segurança energética global

Conflitos no Oriente Médio e a alta do petróleo intensificam a busca por segurança energética, com implicações geopolíticas globais. A Agência Internacional de Energia (AIE) classifica a atual disrupção no setor como a maior da história, superando as crises dos anos 1970. Especialistas apontam que a necessidade de diversificar fontes de energia, aliada à transição para o baixo carbono, ganha urgência.

A guerra e a instabilidade no setor de petróleo e gás forçam governos e empresas a repensarem suas estratégias. A busca por fontes de energia de baixo carbono agora é intrinsecamente ligada à segurança geopolítica. O carvão, apesar de ser mais poluente, pode ter uma sobrevida como alternativa de curto prazo, enquanto a energia nuclear ganha força. O Brasil, com sua matriz energética diversificada e renovável, está relativamente bem posicionado, mas não está imune aos riscos globais.

A AIE, o FMI e o Banco Mundial alertaram em conjunto para o impacto substancial e global da guerra, que afeta desproporcionalmente países importadores de energia, especialmente os de baixa renda. O aumento dos preços do petróleo, gás e fertilizantes gera preocupações com a segurança alimentar e o emprego.

A transição para fontes de energia de baixo carbono continua sendo um caminho sem volta, mas a segurança energética se torna um fator crucial. A diversificação de fontes e o investimento em renováveis são vistos como essenciais para reduzir a dependência de importações. A geração de eletricidade, por ser mais nacional, pode impulsionar a eletrificação.

Na Ásia, países como Índia e Taiwan adiaram paradas de manutenção em usinas a carvão, indicando uma possível extensão do uso dessa fonte fóssil no curto prazo. No entanto, especialistas ressaltam que, estruturalmente, a corrida por renováveis continua, e o carvão não é competitivo a médio prazo.

A energia nuclear também se beneficia do novo cenário. Suas vantagens, como produção constante, baixa emissão de gases e menor necessidade de espaço, são agora complementadas pela menor dependência do Oriente Médio. Países como a França registram aumento na geração nuclear, e a Alemanha reavalia sua decisão de abandonar essa fonte.

O setor de energia global demonstra maior resiliência e diversificação do que em crises anteriores. Os estoques de petróleo e rotas alternativas de transporte oferecem alguma segurança. Os Estados Unidos, antes grandes importadores, são agora o maior produtor e exportador de GNL, fortalecendo sua posição.

Diferentemente das crises dos anos 1970, o contexto geopolítico atual é marcado pela ameaça à hegemonia americana pela China. A política externa dos EUA sob Donald Trump, com potencial para desorganizar instituições internacionais, adiciona riscos à economia global.

O Brasil se destaca positivamente em termos de segurança energética. Sua matriz é majoritariamente renovável e menos dependente de importações. O pré-sal impulsiona o país como um dos maiores produtores de petróleo e exportador líquido. O avanço em biocombustíveis, como o etanol e o biometano, também fortalece a posição brasileira.

Contudo, o Brasil enfrenta desafios. A dependência de termelétricas para suprir picos de demanda e a importação de GNL durante períodos de seca expõem o país a flutuações de preço. A indexação de contratos de fornecimento a cotações de mercado eleva o risco de inflação generalizada nos custos industriais e de transporte.

Especialistas alertam para oportunidades perdidas, como a redução da dependência do modal rodoviário e os desequilíbrios no setor elétrico. Geopoliticamente, um mundo menos multilateral e com tendências expansionistas representa um risco maior para países emergentes sem capacidade militar robusta.

Leia também