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terça-feira, 20 de outubro de 2026

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ECONOMIA E TECNOLOGIA

IA se consolida como ferramenta padrão em grandes economias

Inteligência Artificial se consolida como ferramenta essencial em grandes indústrias, impulsionando eficiência e abrindo novas fronteiras, mas desafios de escalabilidade e adaptação profissional persistem.

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IA se consolida como ferramenta padrão em grandes economias

A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa e se tornou uma realidade operacional nas maiores indústrias globais. David Dias, líder de IA para América Latina na consultoria EY, afirma que a tecnologia "virou o novo normal", contrastando com o cenário de cinco anos atrás, quando seu uso era incipiente. Atualmente, plataformas como o ChatGPT alcançam 800 milhões de usuários semanais, evidenciando sua rápida adoção.

Na indústria automotiva, montadoras utilizam IA generativa para acelerar o design de veículos. Uma pesquisa da McKinsey de 2025 revelou que 40% dos executivos do setor já haviam investido cerca de US$ 6 milhões em tais soluções, com 10% chegando a US$ 23 milhões.

A Tesla exemplifica o investimento em IA para direção autônoma com a aquisição da Deep Scale, visando desenvolver sistemas de assistência e plataformas de robotáxi.

O setor de energia também se beneficia. Carlos Grillo, vice-presidente de Tecnologia da WEG, destaca a importância dos "grids de energia inteligentes" como tendência futura, impulsionada pela aquisição da Reivax pela empresa.

Na mineração, a Vale integrou IA à gestão de riscos. Seus centros de monitoramento geotécnico utilizam sensores, drones e análise preditiva para acompanhar barragens 24 horas por dia, antecipando riscos e permitindo ações preventivas.

Andrea Faggion, consultor da Kyndryl Brasil, aponta um crescimento médio de 40% nos investimentos em IA no país em 2025. Contudo, ressalta que a maioria das iniciativas foca em ganhos operacionais, como automação e eficiência, em vez de novos modelos de negócio.

A próxima fronteira, segundo Faggion, é a Inteligência Artificial Agêntica, com agentes capazes de interpretar contextos, sugerir ações e executar tarefas. O varejo global já se prepara: o Walmart adaptou suas plataformas de e-commerce para compras por agentes de IA, e o Google lançou um protocolo para que esses agentes realizem compras diretamente em seu buscador.

No Brasil, o setor financeiro e de seguros lidera em maturidade no uso de IA. Dias menciona a assistente de IA do Bradesco, com taxa de retenção de 85% a 90%. Fernando Musolino, da TransUnion do Brasil, explica que segmentos que demandam decisões em tempo real e alta precisão, como bancos e fintechs em áreas de crédito e prevenção à fraude, são os mais aptos a se beneficiar da tecnologia.

Pedro Donati, CEO da EquipeAI, alerta que serviços terceirizados, como BPO, e a indústria de software enfrentarão disrupções, com a IA substituindo funcionalidades e exigindo reinvenção dos modelos de negócio.

A IA também abre novas avenidas. Um escritório de advocacia desenvolveu um agente de IA para identificar fraudes em litígios bancários, transformando uma solução interna em nova fonte de receita.

Desafios persistem. Dias critica a mentalidade de "Feira de Ciências", com muitas provas de conceito e poucos projetos escalados. Donati aponta a necessidade de as pessoas se tornarem "gerentes" de IA, fornecendo contexto e avaliando resultados, o que levanta questões sobre o futuro do emprego de entrada.

Fonte: O Globo

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