Ir para o conteúdo

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

TECNOLOGIA

IA Revoluciona Mercado de Trabalho e Exige Novas Habilidades

A inteligência artificial avança rapidamente, transformando o mercado de trabalho e exigindo novas habilidades. Especialistas alertam para a necessidade de adaptação e ressaltam que profissionais experientes e com habilidades comportamentais ganham destaque.

Compartilhe
WhatsApp
IA Revoluciona Mercado de Trabalho e Exige Novas Habilidades

A inteligência artificial (IA) atingiu 53% de adoção global em três anos, acelerando a transformação do mercado de trabalho e exigindo novas qualificações. Um estudo do Instituto Stanford para IA Centrada no Ser Humano (HAI) revela que a IA é a tecnologia de adoção mais rápida da história, superando o computador pessoal e a internet.

A rápida assimilação da IA, que alcançou 88% no ambiente organizacional, gera um paradoxo: enquanto analistas debatem seu impacto nas demissões, empresas anunciam cortes massivos. Graduandos de ciência da computação enfrentam dificuldades para ingressar no mercado, enquanto profissionais experientes, com foco em habilidades analíticas e comportamentais, ganham espaço.

Marcelo Finger, professor da USP, destaca que os benefícios da IA são maiores para profissionais experientes, enfraquecendo a entrada de novos talentos globalmente. No Brasil, apesar do alto número de formados em tecnologia, a contratação de desenvolvedores está no menor patamar desde 2017, com apenas um em cada três recém-formados conseguindo uma vaga.

Milton Beck, diretor do LinkedIn para a América Latina, afirma que a IA não substitui empregos, mas muda sua natureza. Vagas que exigem letramento em IA e habilidades humanas como comunicação, pensamento crítico e resolução de problemas estão em ascensão. A análise forense de IA, por exemplo, é a segunda área com maior crescimento de postos.

Contudo, profissionais e estudantes demonstram lentidão na adaptação. O uso de IA nos estudos universitários saltou de 52% para 84% entre 2023 e 2025, mas a tecnologia é delegada a tarefas complexas, sem o desenvolvimento de funções cognitivas essenciais. Isso resulta em um fenômeno de "work slop", produção de baixa qualidade devido ao uso ineficiente da IA, segundo Alicia Mullery, analista do Gartner Group.

Instituições de ensino buscam adaptar currículos, com mais de 90% dos países oferecendo ciência da computação no ensino básico. O Brasil possui uma base relevante, mas precisa acelerar a adaptação, com cursos de graduação e pós-graduação em IA surgindo para suprir a demanda.

Marcos Blasi, sócio do Lobo de Rizzo Advogados, enfatiza que "ninguém mais pode se dar ao luxo de dizer que não utiliza IA". A IA pressiona empresas a disciplinar seu uso e capacitar colaboradores, impactando modelos de trabalho como terceirização e quarteirização em setores sensíveis. Blasi recomenda cautela, sugerindo que empresas não terceirizem seu core business.

Leia também