O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta quarta-feira (29) a continuidade do inquérito das fake news. Em relatório sobre os atos de 8 de janeiro, Moraes afirmou que a desinformação se tornou a principal arma contra a Justiça e as eleições no Brasil. Segundo o ministro, a investigação foi crucial para identificar uma organização criminosa voltada à ruptura institucional.
"A massiva desinformação [...] tornou-se o maior, mais moderno e nocivo instrumento de ataque à independência dos juízes", declarou Moraes no documento. Ele apontou que o objetivo dessas ações é desacreditar magistrados, deslegitimar o Judiciário e questionar a validade das eleições democráticas. O relatório também menciona ameaças físicas e psicológicas sofridas por ministros do STF, incluindo uma tentativa de explosão na sede do tribunal.
Diante desse cenário, Moraes sustentou a necessidade de ampliar o escopo do inquérito. A investigação agora abrange não só a disseminação de notícias falsas, mas também ameaças, calúnias, vazamento de sigilo e financiamento de campanhas digitais. O objetivo é identificar esquemas que visam comprometer a independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito.
As apurações da Polícia Federal, segundo o relatório, mapearam o funcionamento de um grupo político estruturado como organização criminosa. Este grupo realizava ataques virtuais a opositores, investidas contra o STF e o TSE, questionava o sistema eletrônico de votação e tentou promover um golpe de Estado.