A FIFA anunciou nesta terça-feira (29) uma mudança em seu regulamento que permite a jogadoras afegãs retornar a competições internacionais. A decisão, tomada em Vancouver, no Canadá, autoriza o registro de seleções mesmo sem o reconhecimento da federação nacional do Afeganistão, que proíbe o futebol feminino desde 2021, com a ascensão do Talibã. A medida visa garantir que atletas, muitas delas refugiadas desde 2021, possam representar o país em jogos oficiais.
A alteração nas normas de governança da entidade se aplica a "circunstâncias excepcionais". Jogadoras afegãs que vivem no exterior, incluindo Europa, Austrália, Estados Unidos e Oriente Médio, poderão competir com reconhecimento da FIFA. A expectativa é que a equipe retorne a torneios em junho, após treinamentos organizados na Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia.
Khalida Popal, ex-capitã da seleção, destacou o significado da decisão. "Nossa equipe sempre foi conhecida como uma equipe ativista. Agora, com o apoio certo, também será o momento de mostrar nossas habilidades e desenvolver talentos na diáspora", disse à Reuters. Popal reconheceu as dificuldades para mulheres dentro do Afeganistão, mas ressaltou que a equipe poderá ser "a voz delas, enviando mensagens de esperança".
A iniciativa apoia-se no projeto piloto "Afghan Women United", formado por refugiadas e com suporte da FIFA desde maio de 2025. O grupo já disputou amistosos e obteve sua primeira vitória internacional em novembro, contra a Líbia. O presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificou a medida como um "avanço inédito".
Embora o Afeganistão não possa disputar a Copa do Mundo Feminina de 2027, as jogadoras estarão aptas a participar das eliminatórias para os Jogos Olímpicos de 2028. A FIFA também oferecerá suporte técnico, financeiro e administrativo para a nova equipe.