A guerra no Oriente Médio impactou diretamente a economia brasileira, elevando o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) a 2,73% em abril. Este é o maior aumento mensal desde maio de 2021, quando o índice atingiu 4,10%. O IGP-M, conhecido como a "inflação do aluguel", interrompeu uma sequência de cinco meses de deflação, acumulando 0,61% em 12 meses.
Segundo o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), a alta nos preços ao produtor, especialmente de matérias-primas brutas, avançou quase 6% devido ao conflito. Produtos da cadeia petroquímica, como embalagens plásticas, também sentiram o impacto.
Nos preços ao consumidor, a elevação dos combustíveis foi o principal fator. A gasolina subiu 6,3% e o diesel, 14,9% em abril. O aumento no custo do transporte se reflete em outros setores, como o de alimentos, devido à alta no frete.
O conflito no Oriente Médio, iniciado em fevereiro, afeta a logística global de petróleo e gás, com o Irã bloqueando o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial. Isso desestabiliza o mercado internacional e eleva os preços de commodities como petróleo e seus derivados.
O IGP-M é composto pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 3,49% em abril, pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com alta de 0,94%, e pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que avançou 1,04%.
O levantamento da FGV considerou o período de 21 de março a 20 de abril.