Brasília - O governo federal intensifica esforços para obter um apoio público explícito do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, à indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). A medida visa influenciar senadores indecisos antes da sabatina de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para esta quarta-feira.
Um encontro reservado na semana passada, que reuniu Messias, Alcolumbre, e os ministros do STF Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, além do senador Rodrigo Pacheco, não resultou em um compromisso público do senador. Alcolumbre teria garantido um ambiente institucional tranquilo para a sabatina.
Na segunda-feira, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu-se com Alcolumbre para solicitar um aceno público de apoio e um recebimento formal na presidência do Senado. O governo acredita que essa formalização poderia diminuir resistências e aumentar a segurança de parlamentares que ainda não definiram seus votos.
"O formato que eu acho que deveria ser não aconteceu. Formalmente, aqui na presidência, não teve", lamentou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.
Paralelamente, o Planalto negocia cargos e liberações de recursos orçamentários para angariar votos. Em abril, R$ 12 bilhões em emendas parlamentares foram empenhados.
Messias ainda busca construir uma margem de aprovação mais confortável. Mais de 30 senadores, segundo levantamento, evitam declarar voto, e parte deles aguarda um sinal de Alcolumbre. Messias conta com 26 votos declarados e necessita de pelo menos 41 para aprovação. O governo projeta entre 44 e 48 votos.
Alcolumbre tem mantido distância da articulação, o que governistas interpretam como um distanciamento, especialmente após ter defendido nos bastidores a indicação de Rodrigo Pacheco. Em outras ocasiões, o presidente do Senado atuou ativamente na defesa de seus indicados.
Fonte: G1