A arrecadação federal atingiu um marco histórico em março de 2026, alcançando R$ 229,2 bilhões. Este valor representa o maior montante já registrado para o mês desde o início da série histórica em 1995, conforme divulgado pela Receita Federal. O resultado aponta um crescimento real de 4,99% em comparação com março do ano anterior, mesmo após o desconto da inflação.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a arrecadação também estabeleceu um novo recorde, totalizando R$ 777,12 bilhões. Isso corresponde a uma alta real de 4,6% em relação ao mesmo período de 2025.
O aumento expressivo na arrecadação foi impulsionado por diversos fatores. Entre eles, destacam-se o crescimento da contribuição para a Previdência Social, ligada ao aumento dos salários; o bom desempenho do PIS e da Cofins, impostos que incidem sobre o consumo e serviços; o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital; e um forte avanço na arrecadação do IOF. A elevação do IOF, especificamente, está relacionada às mudanças nas regras do imposto implementadas em 2025, que aumentaram a tributação sobre operações de crédito e câmbio.
O aumento do emprego formal e da massa salarial também contribuiu para expandir a base de arrecadação, à medida que mais trabalhadores passaram a contribuir. O cenário econômico positivo, com crescimento da atividade, do consumo e da renda, somado a mudanças tributárias realizadas nos últimos anos, como ajustes em investimentos, reoneração de setores e elevação de impostos sobre operações financeiras e importações, sustentam esses números recordes.
A arrecadação recorde é crucial para as contas públicas e para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê um superávit de 0,25% do PIB. Embora projeções ainda indiquem um possível déficit ao final do ano, o aumento na arrecadação ajuda a mitigar o resultado negativo.
A taxação de dividendos, implementada em 2026, também começa a refletir nos cofres públicos, com uma arrecadação de R$ 308 milhões em março. A medida, que cobra 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil para pessoas físicas, foi criada para compensar a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. Apesar de representar uma pequena parcela do total arrecadado, espera-se que essa fonte de receita ganhe importância com o tempo.
Os dados indicam que 2026 iniciou com uma arrecadação em patamares historicamente altos, seguindo a tendência de 2025. O desempenho futuro dependerá da evolução da economia, do mercado de trabalho e de novas políticas fiscais.