Ir para o conteúdo

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

ECONOMIA INTERNACIONAL

Alerta Global: Preços de Energia Disparam 24% em 2026, Maior Alta Desde Invasão da Ucrânia

Preços de energia sobem 24% em 2026, maior alta desde invasão da Ucrânia, aponta Banco Mundial. Conflito no Oriente Médio causa choque em commodities, inflação e desaceleração econômica global. Populações vulneráveis e economias em desenvolvimento são as mais afetadas.

Compartilhe
WhatsApp
Alerta Global: Preços de Energia Disparam 24% em 2026, Maior Alta Desde Invasão da Ucrânia

Os preços globais de energia devem saltar 24% em 2026, atingindo o maior nível desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A previsão é do Banco Mundial, que aponta a guerra no Oriente Médio como principal catalisadora da alta nos mercados de commodities.

O relatório divulgado nesta segunda-feira também indica um aumento geral de 16% nos preços das commodities em 2026, impulsionado pela energia, fertilizantes e metais. Essa escalada tem sérias consequências: inflação crescente, desaceleração econômica global e impacto severo no mercado de trabalho.

Ataques à infraestrutura energética e interrupções no transporte marítimo, especialmente no Estreito de Ormuz, causaram o maior choque de oferta de petróleo já registrado, com uma redução inicial de 10 milhões de barris por dia. Mesmo com recuo recente, o petróleo Brent segue mais de 50% mais caro do que no início do ano.

O Banco Mundial projeta o barril de Brent a US$ 86 em 2026, contra US$ 69 em 2025. Essas projeções consideram o fim das interrupções no tráfego marítimo até maio e o retorno gradual aos níveis pré-guerra até o fim de 2026.

"A guerra está atingindo a economia global em ondas cumulativas: primeiro por meio de preços mais altos de energia, depois de alimentos e, por fim, de uma inflação mais elevada, que elevará as taxas de juros e tornará a dívida ainda mais cara", afirma Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial. Ele alerta que os mais pobres e as economias em desenvolvimento, já endividadas, serão os mais afetados.

Os preços dos fertilizantes devem subir 31% este ano, com a ureia em alta de 60%. A acessibilidade dos fertilizantes atinge o pior nível desde 2022, ameaçando a produção agrícola. Conflitos prolongados podem levar 45 milhões de pessoas adicionais à insegurança alimentar aguda.

Metais básicos como alumínio, cobre e estanho também atingirão preços recordes, impulsionados pela demanda de setores como veículos elétricos e energias renováveis. Metais preciosos registram alta média de 42% em 2026, devido à busca por ativos seguros em meio à incerteza geopolítica.

A inflação nas economias em desenvolvimento deve atingir 5,1% em 2026, acima do esperado antes da guerra. O crescimento nessas economias, projetado em 3,6% para este ano, foi revisado para baixo. Cerca de 70% dos importadores e mais de 60% dos exportadores de commodities globais podem ter desempenho inferior ao projetado.

Um cenário de intensificação do conflito e prolongamento das interrupções na oferta pode levar o Brent a US$ 115 o barril em 2026, com efeitos em cadeia sobre fertilizantes, biocombustíveis e inflação, que poderia chegar a 5,8% nas economias em desenvolvimento.

Ayhan Kose, economista-chefe adjunto do Banco Mundial, recomenda que governos evitem medidas fiscais amplas e não direcionadas, focando em apoio temporário às famílias vulneráveis.

Leia também