O Tottenham está mergulhado em uma crise sem precedentes na Premier League. A vitória de ontem sobre o lanterna Wolverhampton por 1 a 0, a primeira na liga em 2026, não foi suficiente para tirar os Spurs da zona de rebaixamento. Com 34 pontos, a equipe ocupa a 18ª posição, dois pontos atrás do West Ham, primeiro time fora do Z3.
A atual temporada é um contraste brutal com o passado recente. Campeões da Liga Europa em 2025 e com campanha de oitavas de final na Champions League, os londrinos vivem um inferno particular na liga nacional. O cenário é ainda mais preocupante se lembrarmos que na temporada passada, o time terminou em 17º, escapando do rebaixamento apenas pela campanha desastrosa do Leicester City.
A instabilidade no comando técnico, marca registrada da gestão do ex-presidente Daniel Levy, é um dos principais fatores que levaram o clube a esta situação. Nos últimos 15 anos, Tottenham viu passar por seu banco nomes como André Villas-Boas, Tim Sherwood, Mauricio Pochettino, José Mourinho, Nuno Espírito Santo, Antonio Conte e Ange Postecoglou. Desses, apenas Pochettino, com 293 jogos, conseguiu maior longevidade e sucesso, liderando o time à final da Champions em 2018/19.
Levy, criticado pela torcida, deixou o cargo em setembro após 24 anos. A nova gestão, sob o comando de Vinai Venkatesham e Johan Lange, herdou um clube em crise. A aposta em Igor Tudor não durou dois meses, e agora Roberto De Zerbi, que conquistou sua primeira vitória no sábado, tenta a salvação.
A saúde financeira do Tottenham, por outro lado, é exemplar. Sob Levy, o clube inaugurou o moderno Tottenham Hotspur Stadium, avaliado em 1 bilhão de libras. O clube se consolidou no 'Big 6' da Premier League, mas a gestão do futebol sempre careceu de estabilidade.
A política salarial restrita e a dificuldade em reter talentos como Harry Kane, vendido ao Bayern de Munique por cerca de 100 milhões de euros, evidenciam os problemas. Kane, maior artilheiro da história do clube, acumulou frustrações e aceitou a transferência para a Alemanha.
A saída de Levy também trouxe incertezas. O ex-presidente era uma figura presente, alvo de críticas, mas visível. Agora, a família Lewis, proprietária, opera nas sombras, aumentando a pressão sobre o treinador. Além disso, o clube sofre com um número elevado de lesões de jogadores importantes como Kulusevski, Maddison, Solanke e Kudus.
Com um calendário desafiador pela frente, o Tottenham luta para evitar o vexame do rebaixamento. Os próximos jogos contra Aston Villa, Leeds, Chelsea e Everton serão cruciais para definir o futuro da equipe na elite do futebol inglês.