Dez anos após a conquista histórica da Premier League, o Leicester City sofreu um declínio chocante, sendo rebaixado pela segunda vez em sua história para a terceira divisão do futebol inglês. A queda foi confirmada após um empate em 2 a 2 contra o Hull City, selando o destino dos Foxes na 23ª posição da Championship.
O colapso do Leicester é atribuído a uma combinação de ambições desmedidas, dificuldades financeiras e má gestão. Rob Tanner, jornalista do The Athletic, aponta para decisões equivocadas, trocas constantes de treinadores e falhas no recrutamento de jogadores como fatores cruciais.
Após o título da Premier League em 2016 e uma campanha notável na Liga dos Campeões, os donos do clube almejaram competir com as potências do futebol inglês, visando a consolidação na elite e a presença constante em competições europeias. Esse projeto ambicioso demandou investimentos significativos em contratações e salários, que, com o tempo, levaram a uma crise financeira.
A pandemia de Covid-19 agravou a situação, impactando severamente as finanças do King Power Group, proprietário do clube, cujas receitas dependiam fortemente de lojas de aeroporto. Apesar da queda na receita, o clube manteve altos gastos, como a contratação de Patson Daka, Boubakary Soumaré e Jannik Vestergaard por 54 milhões de libras, resultando em desequilíbrio financeiro e problemas com as regras de Lucro e Sustentabilidade (PSR).
Mesmo com o rebaixamento em 2023, o Leicester possuía a sétima maior folha salarial da Premier League, que se tornou a maior da Championship. A dificuldade em vender jogadores com salários altos contribuiu para o problema, com gastos que chegaram a 116% da receita em determinado momento.
A falta de preparo para a queda de receitas após o rebaixamento foi um erro crucial. Enquanto times da Premier League recebem entre 100 e 110 milhões de libras em direitos de transmissão, na Championship esse valor despenca para cerca de cinco milhões.
A punição com a perda de seis pontos por descumprimento das regras financeiras foi o golpe final. O clube infringiu as normas de lucro e sustentabilidade da liga inglesa em um período de três anos, terminando na temporada 2023/24.
Agora, o Leicester enfrenta a realidade da League One, onde a partir da próxima temporada, os clubes terão um limite de gastos de 60% de sua receita extra em despesas com jogadores. Com salários astronômicos para a terceira divisão, a operação do clube se torna um desafio.
Em contraste, a ascensão meteórica do Wrexham A.F.C. ilustra a dinâmica do futebol inglês, onde o passado tem pouco peso. Comprado por Ryan Reynolds e Rob McElhenney em 2021, o clube obteve três acessos seguidos e uma valorização expressiva, impulsionada também pela série documental "Welcome to Wrexham".