O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e membros da família Bolsonaro elevaram o tom de suas discussões públicas, em uma disputa que já dura cerca de três anos. Nesta sexta-feira (25/04/2026), Nikolas expressou a Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, que está sendo provocado e que possui um "limite". O parlamentar também se referiu a Jair Renan Bolsonaro como "toupeira cega".
A tensão entre Nikolas e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro se acentuou durante as eleições municipais de 2024, expandindo-se para confrontos com Eduardo e Carlos Bolsonaro. Nas redes sociais, Nikolas acusou aliados do clã de promoverem "divisão" e perseguirem correligionários que não endossam a candidatura de Flávio Bolsonaro com a intensidade desejada por eles. "Vários aliados de longa data, leais e íntegros, têm sido alvo da mesma turma que nada agrega, a não ser gerar divisão e até mesmo fiscalização ou perseguição a quem não posta uma porcentagem que eles desejam. Isso tem gerado um clima que ninguém mais suporta", escreveu.
A declaração sobre Jair Renan foi uma resposta indireta a Carlos Bolsonaro, que havia anunciado um "levantamento" de membros do PL que não estariam divulgando a candidatura do irmão. Nikolas rebateu, sem citar Carlos nominalmente: "Postar você todos os dias, qualquer um faz. Porque isso é fácil. Mas conquistar os votos, através das ideias que você representa, isso sim é um trabalho efetivo, e que poucos fazem, porque exige trabalho, preparo e inteligência."
No início de abril, Nikolas já havia se desentendido com Eduardo Bolsonaro. O deputado que reside nos EUA criticou Nikolas, chamando-o de "versão caricata de si mesmo" e acusando-o de desrespeitar sua família. "Risinho de deboche para mim, Nikolas? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família", publicou Eduardo.
As trocas de farpas entre Nikolas e Eduardo também ocorreram em fevereiro deste ano. Na ocasião, Eduardo cobrou maior engajamento de Nikolas e Michelle Bolsonaro na campanha de Flávio e apontou "amnésia" nos dois. Após visitar Jair Bolsonaro na prisão, Nikolas comentou: "Bater em mim eu já estou acostumado. Já tem mais de três anos que eles estão aí nessa saga. Eu acho que o Eduardo não está bem. E eu realmente faço questão de não perder meu tempo com essas divergências, porque eu acredito que a gente tem um Brasil para salvar."
Um novo capítulo da dissidência ocorreu em novembro do ano passado, quando Eduardo compartilhou uma publicação que acusava Nikolas de "liderar uma dissidência" no PL e exigiu apoio da deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) à candidatura de Carlos ao Senado por Santa Catarina. A postagem, que foi apagada posteriormente, afirmava que Nikolas estaria tentando se distanciar de Jair Bolsonaro.
Em julho de 2025, Eduardo Bolsonaro criticou o que considerou "pouco engajamento" de Nikolas em articulações nos EUA sobre tarifas de importação de produtos brasileiros impostas pelo governo Trump. Eduardo classificou Nikolas como "pouco ativo" e "canalha" após uma interação do deputado com uma influenciadora crítica ao bolsonarismo. Nikolas respondeu atribuindo o tarifaço à "incompetência diplomática de Lula e à tirania instalada por Moraes".
Os embates se estenderam às eleições municipais de 2024 em São Paulo, quando Nikolas apoiou Pablo Marçal (PRTB) para a prefeitura, divergindo de Jair Bolsonaro, que endossou Ricardo Nunes (MDB). O apoio a Marçal gerou atritos com uma ala do PL e bolsonaristas defensores de Nunes, além de indispor Carlos Bolsonaro com Nikolas. Apesar das divergências, Nikolas mantém boa relação com Michelle e Jair Bolsonaro.
Fonte: O Globo