O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PSDB) anunciou neste sábado (25) que definirá até o fim da primeira quinzena de maio se concorrerá à Presidência da República ou ao governo do Ceará em 2026. Em discurso para correligionários tucanos em São Paulo, Ciro abordou temas nacionais como economia e o Judiciário, mas manteve em aberto a disputa eleitoral. O convite para liderar a chapa presidencial do PSDB foi feito pelo deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do partido. Ciro citou a "campanha fascista" de 2022, que o teria "humilhado" e impedido de competir em "condições justas", como um dos motivos para hesitar em retornar à política. Ele declarou se sentir "obrigado pelo apelo" do partido para considerar o convite.
Apesar do tom nacional, Ciro criticou a polarização entre PT e PL, argumentando que ambos defendem a mesma política econômica. Ele também abordou a questão das terras raras, classificando-as como "o petróleo do século XXI", e cobrou posições dos dois campos políticos. Sobre o Judiciário, Ciro criticou o "compadrio" nas nomeações para o Supremo e considerou "puro oportunismo" investigar ministros e depois votar em indicações políticas.
O evento reuniu pré-candidatos do PSDB de São Paulo, incluindo o presidente estadual do partido e pré-candidato ao governo de São Paulo, Paulo Serra. A ausência de Aécio Neves foi notada; ele enviou mensagem em vídeo, mas não mencionou Ciro Gomes diretamente. A decisão de Ciro impacta o cenário político cearense, onde ele é visto como principal nome da oposição ao governador Elmano de Freitas (PT). A possível candidatura nacional de Ciro também acentua o racha com seu irmão, o senador Cid Gomes (PSB), aliado de Elmano. Cid declarou que, embora apoiasse Ciro para presidente, estariam em lados opostos em uma disputa pelo governo do Ceará. A divergência entre os irmãos se aprofundou após a saída de Cid do PDT e filiação ao PSB em novembro de 2023, enfraquecendo a base política de Ciro no estado.