O Ministério Público de São Paulo investiga denúncias contra o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), por supostamente criar um buraco cenográfico em uma rua para a gravação de um vídeo para redes sociais. Servidores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) relataram que equipes foram mobilizadas em 9 de abril no bairro Jardim Leocádia para realizar a obra sem necessidade técnica aparente.
O episódio coincidiu com a gravação de um vídeo de 19 segundos, divulgado pelo próprio prefeito, conhecido como "prefeito tiktoker". Nas imagens, Manga empurra um personagem para dentro de uma vala com água escura, antes de falar sobre ações de recapeamento na cidade. O vídeo viralizou, alcançando milhões de visualizações.
Documentos internos, como ordens de serviço, teriam sido elaborados para justificar a intervenção, mencionando vazamentos de água, afundamentos de solo e manutenção de rede de esgoto. No entanto, servidores afirmam que não havia sinais de problemas no local antes da obra. Imagens registradas momentos antes dos trabalhos não mostram sinais de água na pista, esgoto exposto ou deformações no asfalto.
Servidores também questionam a documentação fotográfica, com registros de "antes" e "depois" supostamente idênticos e tirados em local diferente da abertura da vala. Um dos denunciantes apontou que uma anotação técnica indicava que um suposto vazamento não seria responsabilidade do Saae.
A logística da operação também é questionada, com a mobilização de ao menos dez servidores de diferentes áreas, além de caminhões e serviços terceirizados de pavimentação.
As denúncias foram apresentadas ao Ministério Público, uma delas pelo vereador Raul Marcelo (PSOL). O órgão confirmou que os casos estão em análise.
A prefeitura de Sorocaba nega irregularidades. Em nota, a gestão municipal afirmou que a vala foi aberta por equipe do Saae para obra de manutenção em rede de esgoto, com troca de uma abraçadeira danificada e recomposição do pavimento no mesmo dia, seguindo protocolos e com registro formal da solicitação. Em outro posicionamento, o Saae alegou que o registro apresentado nas reportagens poderia se referir a outra intervenção.
Este episódio ocorre em um momento delicado para o prefeito Rodrigo Manga, que já foi afastado do cargo por 145 dias na Operação Copia e Cola, que investiga suspeitas de corrupção em contratos da saúde. Ele retornou à função após decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O STF deve julgar, entre os dias 1º e 11 de maio, a manutenção do prefeito no cargo.
Fonte: g1