Bruxelas anunciou nesta quarta-feira (22) um conjunto de medidas para combater a crise energética na Europa, agravada pela guerra no Oriente Médio. O plano foca no aprimoramento do monitoramento de estoques de combustível de aviação e na busca por fontes alternativas, diante da preocupação com a escassez antes da temporada de viagens de verão.
A União Europeia não apresentou medidas isoladas, mas sim um compilado de recomendações aos Estados-membros, formando uma "caixa de ferramentas" para lidar com dificuldades energéticas atuais e futuras. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que as ações trarão alívio imediato e estrutural para cidadãos e empresas.
Um "observatório de combustíveis" será criado para monitorar a produção, importação, exportação e estoques de combustíveis de transporte na UE. O foco inicial será o querosene de aviação, já que cerca de 20% do consumo europeu depende de importações que passam pelo Estreito de Ormuz, rota afetada pelo conflito.
A UE também emitirá orientações sobre flexibilização de regras de alocação de horários em aeroportos e sobre o "anti-tankering", que limita a quantidade de combustível para decolagem. A importação de combustível de aviação dos EUA e a manutenção de reservas mínimas pelos países-membros também estão em pauta.
No setor de gás, a UE coordenará o preenchimento de estoques para evitar aumentos de preços e analisará a liberação de reservas de petróleo, se necessário. A capacidade de armazenamento de gás pode ser reduzida de 90% para 80% ou até 75%, se a situação exigir.
Em relação aos fertilizantes, cujos preços dispararam, a UE apresentará um plano de ação em maio para diversificar o fornecimento e apoiar a produção europeia. O bloco já gastou 24 bilhões de euros a mais em importações de energia devido aos preços elevados desde o início dos ataques ao Irã.
Para auxiliar os setores mais afetados, como indústria pesada, agricultura e pesca, a Comissão Europeia adotará um quadro temporário de auxílios estatais, permitindo maior flexibilidade aos países. Além disso, o bloco compartilhará melhores práticas para reduzir o consumo de energia e acelerar a adoção de energias renováveis, com foco em bombas de calor e energia solar.
Até o verão no Hemisfério Norte, a UE apresentará um plano de ação para a eletrificação, visando acelerar a transição para energia limpa e interna, com uma nova meta de eletrificação. Haverá também uma revisão dos critérios de produção para hidrogênio renovável, a fim de impulsionar o desenvolvimento de combustíveis alternativos como os eletrocombustíveis sustentáveis para aviação (eSAF).