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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

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EDUCAÇÃO

Documentário sobre ensino público grava em creche de SP com aval da prefeitura e causa polêmica

Comunidade escolar e parlamentares protestam após documentário da Brasil Paralelo gravar em creche municipal com autorização da prefeitura. Produtora já foi alvo de processos por desinformação e uso indevido de imagem de criança.

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Documentário sobre ensino público grava em creche de SP com aval da prefeitura e causa polêmica

Professores, pais e a coordenação pedagógica da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Patrícia Galvão, em São Paulo, protestam contra a gravação de um documentário da produtora Brasil Paralelo nas dependências da unidade. A produtora, que já responde por desinformação, obteve autorização da prefeitura para filmar, o que gerou indignação na comunidade escolar.

O documentário, intitulado “Pedagogia do abandono”, questiona a obrigatoriedade da matrícula a partir dos quatro anos e critica temas como ensino de gênero e a obra de Paulo Freire, alinhando-se a grupos defensores do homeschooling.

A diretora da EMEI, Sandra Regina Bouças, expressou oposição à liberação da Brasil Paralelo, que só foi informada à escola na véspera das gravações. Relatos indicam que a equipe pedagógica precisou intervir para impedir a entrada em salas com crianças, e a diretora alega que a produtora distorceu o ocorrido para acusar a escola de censura.

A controvérsia se intensificou com a revelação de que a Brasil Paralelo já teve produtores processados no Ceará por um documentário sobre Maria da Penha, acusado de revisionismo histórico e uso de documento falso. A AGU também cobra R$ 500 mil da empresa por danos morais coletivos.

A autorização da prefeitura para as filmagens na EMEI Patrícia Galvão foi criticada por pais e por parlamentares, que protocolaram representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pedindo a abertura de inquérito e o impedimento da exibição do documentário. Eles argumentam que a escola não deve ser usada para gravações privadas com viés ideológico, o que desvia a instituição de sua função e expõe a comunidade escolar.

A prefeitura, através da SPcine, defendeu o procedimento como padrão, alegando que a análise técnica foi realizada e que a responsabilidade sobre o uso de imagem e participação de menores é da produtora.

Outra polêmica envolve o uso indevido da imagem de uma criança. Mariana Lopes, mãe de Sebastião, de 9 anos, acusa a Brasil Paralelo de manipular um vídeo do filho para encaixar na narrativa do documentário, sugerindo doutrinação ideológica. Ela afirma que o material original era uma atividade de Carnaval e que seu filho não teve qualquer influência de professores. Mariana entrou na Justiça pedindo a retirada dos vídeos, alegando violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) quanto ao uso de imagem de menores.

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