A Copa do Mundo de 2026 marcará um momento inédito: pela primeira vez na história, a competição não contará com nenhum técnico brasileiro no comando de seleções. Em contrapartida, treinadores estrangeiros serão maioria, com 27 dos 48 países classificados sendo liderados por comandantes de outras nacionalidades. A tendência de "importar" técnicos já vinha crescendo e se consolidou neste mundial, com um aumento expressivo em relação à edição de 2022, quando apenas nove técnicos estrangeiros participaram.
A presença majoritária de técnicos estrangeiros levanta um novo desafio: quebrar o tabu de que apenas técnicos locais podem levar suas seleções ao título mundial. Nas 22 edições anteriores, todas as conquistas foram de seleções comandadas por seus próprios compatriotas. O cenário atual, com 27 nacionalidades diferentes à beira do gramado, reflete a globalização do futebol, onde a circulação de profissionais entre países se tornou cada vez mais comum.
França e Argentina despontam com o maior número de representantes, cada um com seis técnicos. A afinidade linguística é apontada como um fator facilitador para o sucesso desses profissionais, que muitas vezes comandam seleções de países onde a língua oficial é a mesma de sua origem. Essa questão da comunicação se torna um diferencial importante, especialmente para técnicos brasileiros, que enfrentam barreiras nesse sentido.
A ausência de técnicos brasileiros na Copa do Mundo de 2026 é atribuída à instabilidade do futebol nacional, que raramente oferece um ambiente propício para o desenvolvimento e a consolidação de projetos a longo prazo. A alta rotatividade de treinadores no campeonato brasileiro e a falta de credibilidade da escola brasileira no exterior contribuem para esse cenário. Profissionais brasileiros com experiência internacional, como Zico, Felipão e Parreira, comandaram outras seleções em Copas passadas, mas agora o Brasil aposta em Carlo Ancelotti, um italiano, para liderar sua equipe.
Apesar do momento desafiador, treinadores brasileiros como Ramon Menezes buscam se aprimorar e estudar, visando oportunidades futuras no cenário internacional. A falta de oportunidades e a pressão por resultados imediatos no Brasil são vistas como obstáculos para o crescimento da nova geração de técnicos brasileiros. A globalização do futebol, embora traga desafios, também abre portas para quem estiver preparado.
Fonte: O Globo