O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que respeitará a decisão das urnas em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas próximas eleições presidenciais. A declaração foi feita em entrevista à revista alemã Der Spiegel, em meio a projeções que colocam o senador à frente do petista em simulações de segundo turno. "Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou do centro, temos que aceitar esse resultado", disse Lula, comparando sua própria trajetória a um exemplo de decisão popular inesperada. O presidente também expressou confiança na democracia brasileira, rejeitando a possibilidade de o país ser dominado pelo autoritarismo e classificando a ideologia de direita que governa o mundo como sem futuro, por espalhar ódio e mentiras. Lula, que tem 80 anos, também comentou sua possível candidatura à reeleição, afirmando estar se preparando, com "cabeça e corpo 100% em forma" para chegar aos 120 anos. Na entrevista, o presidente criticou ainda o uso do poder econômico e militar por parte de algumas nações para ditar relações internacionais, defendendo o papel da ONU e a reforma do Conselho de Segurança. Ele questionou a postura do ex-presidente americano Donald Trump, afirmando que "ele não pode ameaçar outros países com guerra" e que os gastos militares poderiam ser revertidos para combater a fome e o analfabetismo. Lula lamentou a falta de diálogo entre líderes mundiais para discutir a paz global, comparando a situação a um "navio sem capitão". Por fim, criticou os efeitos inflacionários de guerras sobre países pobres e defendeu que os responsáveis por conflitos prestem contas. "Sou o representante máximo da minha nação, não confundo isso com minhas convicções ideológicas. O mesmo vale para Trump: ele é um chefe de Estado, o povo americano o elegeu. Respeito isso – assim como espero que ele respeite a escolha do povo brasileiro", concluiu.
POLÍTICA
Lula: "Aceitaremos o resultado, seja qual for"
Presidente Lula declara que aceitará o resultado das urnas em qualquer cenário eleitoral, inclusive em uma possível vitória de Flávio Bolsonaro. Em entrevista à Der Spiegel, Lula também comentou sobre democracia, sua candidatura e criticou a política internacional de Donald Trump.