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sábado, 24 de outubro de 2026

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POLÍCIA

Ex-comandante da PM de SP é citado em investigação sobre empresa ligada ao PCC

Investigação da Corregedoria da PM de SP apura atuação de policiais na escolta de empresa de ônibus ligada ao PCC. Ex-comandante-geral, coronel José Augusto Coutinho, é citado em depoimento.

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Ex-comandante da PM de SP é citado em investigação sobre empresa ligada ao PCC

O ex-comandante-geral da PM de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, pediu reserva após ser mencionado em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar. A investigação apura a atuação de policiais militares na escolta de uma empresa de ônibus suspeita de ligações com o PCC. Segundo depoimento obtido pelo GLOBO, Coutinho teria tentado convencer um policial investigado a permanecer na Rota, tropa de elite da corporação, mesmo sabendo de sua atuação para a Transwolff, empresa de ônibus investigada por elo com a facção criminosa.

A investigação aponta que sete PMs teriam atuado de forma voluntária no esquema, facilitando a lavagem de dinheiro. Os policiais eram pagos com notas frias pela escolta de diretores da Transwolff. A troca no comando da PM foi oficializada pelo governador Tarcísio de Freitas, que nomeou a coronel Glauce Anselmo Cavalli. Ela é a primeira mulher a comandar a PM de São Paulo em quase 200 anos de história da corporação.

A defesa de Coutinho, feita pelo escritório Fernando José da Costa Advogados, afirma a idoneidade do coronel e que ele ainda não teve acesso aos autos da investigação. A Secretaria de Comunicação do governo de São Paulo ainda não se pronunciou sobre o caso.

O sargento Alexandre Aleixo Romano Cezário, preso em fevereiro por fazer segurança privada para diretores da Transwolff, é quem aponta a participação de Coutinho. A empresa de ônibus foi afastada do serviço em São Paulo após investigações da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, que aponta o PCC como investidor de cerca de R$ 54 milhões na companhia para participação em licitações. Em dezembro de 2025, a prefeitura decretou a caducidade dos contratos.

Romano relatou à Corregedoria que Coutinho, na época comandante da Rota, minimizou o fato de ele fazer "bico" (trabalho extraoficial) para a Transwolff, mesmo ciente de que "havia bandido fazendo bico lá". Coutinho teria pedido para Romano pensar bem antes de deixar a Rota, pois seria difícil reintegrá-lo à corporação. Segundo o depoimento, Coutinho também atendeu a um pedido de Romano para ser transferido para o 19º Batalhão de Polícia Militar do Interior.

Outra acusação contra Coutinho envolve um suposto vazamento na Rota em 2020, que teria beneficiado o PCC. O sargento Romano também é alvo de uma investigação sobre esse caso. A apuração busca determinar se agentes da Rota contribuíram para a fuga de Marcos Roberto de Almeida, o Tuta, então líder do PCC. Tuta teria pago R$ 5 milhões a policiais da Rota para obter informações sigilosas que permitiram sua fuga. Um áudio de Tuta sugere que policiais da Rota o ajudaram. A Corregedoria apura se Coutinho, informado sobre o vazamento na época, não tomou providências.

Fonte: O Globo

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