Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, foi preso nesta quinta-feira e pode ser a chave para desvendar o envolvimento do ex-governador Ibaneis Rocha e de outros políticos na controversa tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. A investigação apura indícios de fraude em operações financeiras.
Costa, segundo relatos, tentou negociar com Daniel Vorcaro, dono do Master, a troca de R$ 10 bilhões em carteiras de crédito com suspeita de fraude. As mensagens trocadas entre ambos indicam uma cobrança amigável, justificada pela necessidade de recuperar o montante indevidamente repassado.
A investigação também busca esclarecer as discussões de Costa com o Banco Central sobre a compra do Master. Servidores do BC foram afastados por suspeita de corrupção por Vorcaro. O órgão monetário, que inicialmente incentivava a compra, tornou-se mais rigoroso após o aprofundamento da investigação, e o pedido de compra foi indeferido em setembro, levando à liquidação do Master em novembro.
Mensagens de junho do ano passado revelam que Ibaneis Rocha pressionava Costa por um desfecho da operação, alegando "desgaste político". O ex-governador afirma que se referia à pressão da oposição, mas não explica por que não suspendeu o processo após a descoberta de fraudes bilionárias.
A principal questão para Costa é o motivo de não ter desfeito o negócio diante do montante de R$ 12,2 bilhões em problemas. Nos bastidores, a justificativa era de que o Master representava uma oportunidade de negócio para o BRB em sua estratégia de expansão.
Costa busca ser ouvido novamente pela polícia e apresentou um memorial sobre a relação BRB-Master. Ele nega a intenção de delação premiada, mas afirma ter muito a relatar às autoridades.