A economia da China apresentou um crescimento de 5% no primeiro trimestre de 2026, superando as expectativas de mercado e analistas. O resultado, divulgado pelo Departamento Nacional de Estatísticas, indica uma resiliência frente aos efeitos indiretos da guerra no Irã, que completa sete semanas. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês registrou a expansão mais rápida em três trimestres, superando a previsão mediana de 4,8% dos economistas consultados pela Bloomberg.
A produção industrial também mostrou força, com crescimento de 5,7% em março na comparação anual, embora com desaceleração em relação aos meses anteriores. No entanto, as vendas no varejo apresentaram um desempenho abaixo do esperado, com alta de apenas 1,7%, indicando uma fraqueza na demanda interna.
Analistas apontam que o setor manufatureiro tem sido o principal pilar do crescimento recente. A China tem focado em fortalecer sua segurança energética e proteger a economia de turbulências globais, o que tem mitigado o impacto da guerra no Irã. A pressão deflacionária de anos anteriores também contribuiu para limitar o aumento imediato dos preços do consumidor, mesmo com a alta do petróleo.
Apesar dos números positivos, o crescimento mostra-se desequilibrado, com as exportações e a alta tecnologia impulsionando os resultados, enquanto o consumo interno patina. A taxa de desemprego urbano subiu inesperadamente para 5,4% em março, o maior índice em um ano. O investimento em ativos fixos apresentou leve queda, e o setor imobiliário continua em retração.
Economistas divergem sobre a necessidade de novos estímulos. A meta de PIB revisada para uma faixa de 4,5% a 5% para 2026, a menor desde 1991, sugere uma abordagem mais flexível por parte de Pequim. Contudo, a complexidade e a volatilidade do cenário externo, aliadas à demanda interna ainda fraca, representam desafios.
O deflator do PIB, que mede as variações de preços em toda a economia, registrou queda de 0,1% no primeiro trimestre, completando 12 trimestres consecutivos de retração. Os preços ao produtor, porém, voltaram a terreno positivo em março, após três anos e meio de deflação.
Fonte: O Globo