O agronegócio brasileiro expande o leque de culturas para a produção de etanol e biodiesel, buscando diversificar a matriz energética renovável do país. Além da tradicional soja, que domina a produção de biodiesel, a canola, a macaúba, o milho e até o sorgo ganham espaço.
O agricultor Amauri Weber, do Paraná, exemplifica essa diversificação. Ele cultiva soja em larga escala, cuja produção de óleo é matéria-prima para biodiesel. A cooperativa a qual pertence, C. Vale, transforma grãos em óleo degomado, impulsionando a produção do biocombustível.
"Gerar energia renovável, além de alimentos, nos deixa satisfeitos", afirma Weber. O Grupo Potencial, um dos maiores produtores de biodiesel do Brasil, anunciou um investimento de R$ 6 bilhões até 2030 para ampliar sua unidade na Lapa (PR), transformando-a em um complexo de agroenergia com produção de etanol e biogás.
A soja responde por 73,3% da produção nacional de biodiesel, segundo a ANP. César de Castro, pesquisador da Embrapa Soja, explica que a mecanização, o uso na alimentação animal e décadas de pesquisa consolidaram a soja nessa posição. "A soja gera o farelo, e o óleo é como um bônus", disse.
No entanto, outras culturas despontam. Bruno Laviola, da Embrapa Agroenergia, destaca a canola, com maior teor de óleo que a soja, e a macaúba, palmeira nativa com potencial para áreas não mecanizáveis. A gordura animal, especialmente bovina e suína, já é a segunda maior fonte de biodiesel no Brasil, com 8,3% de participação.
No setor de etanol, a cana-de-açúcar ainda é a principal matéria-prima, mas o milho tem ganhado força. A produção de etanol a partir do milho já representa quase 30% do total, com investimentos crescentes em biorrefinarias.
"É essencial que haja isonomia regulatória e concorrencial entre as rotas produtivas", defende Guilherme Nogueira, da Orplana, ressaltando a importância de tratar as diferentes fontes de produção de biocombustíveis de forma equânime.
Lucas Costa Beber, produtor de milho em Mato Grosso, vê a produção de etanol a partir do cereal como um caminho sem volta. "Ele gera uma proteína de altíssima qualidade, e o combustível agrega valor ao grão", comenta.
Empresas como a Inpasa, com atuação em sete estados brasileiros, já utilizam o sorgo granífero na produção de etanol. O cultivo, tolerante a variações climáticas e adaptado a solos arenosos, mostra o potencial agrícola do Brasil. "É mais uma demonstração do gigantesco potencial agrícola brasileiro", afirma Gustavo Mariano, da Inpasa.