A White Martins, líder em gases industriais na América Latina, inaugurou nesta quarta-feira (15) sua segunda planta de produção de hidrogênio verde no Brasil. A nova unidade, localizada em Jacareí (SP), tem capacidade cinco vezes maior que a primeira, em Pernambuco, e atenderá clientes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O investimento faz parte dos R$ 1 bilhão previstos para o país em 2024.
Gilney Bastos, presidente da empresa na América Latina, destacou que a planta servirá como um "showroom" para demonstrar a viabilidade e os custos competitivos do hidrogênio verde. "Muitas empresas querem ter produtos sustentáveis, mas ainda se preocupam com os custos", afirmou. A solução utiliza energia renovável e o hidrogênio produzido é transportado para clientes dos setores metalúrgico, de alimentos e químico. Cerca de 20% da capacidade já está contratada pela Cebrace, fabricante de vidros.
A White Martins também negocia a instalação de unidades de produção de hidrogênio verde dentro de fábricas de clientes, em projetos sob demanda. O Brasil busca se consolidar como produtor de hidrogênio de baixa emissão, com marco legal e incentivos. No entanto, tensões geopolíticas globais trouxeram incerteza aos projetos de exportação. "No Brasil, já conseguimos produzir hidrogênio verde com custos próximos aos do hidrogênio a partir do gás natural", explicou Bastos, mas ressaltou a necessidade de garantia de escoamento da produção.
Felipe Diniz, da consultoria Mirrow & Co, aponta o Brasil como "pole position" para ser um fornecedor relevante de hidrogênio verde, com potencial de custo de produção de US$ 1,50 por quilo em poucos anos. Contudo, alerta para a necessidade de regulamentação e infraestrutura. "A liderança não é automática. Ela depende de fazer a lição de casa regulatória", disse Diniz, mencionando a publicação de decretos e a resolução de gargalos de transmissão como passos cruciais.