Ir para o conteúdo

sábado, 24 de outubro de 2026

Jornalismo local, independente e responsável

Jornal Diário do Povo

POLÍTICA

Relatório da CPI do Crime liga facções a lavagem de dinheiro no mercado financeiro

Relatório da CPI do Crime Organizado detalha como facções usam mercado financeiro, criptoativos e fintechs para lavar dinheiro. Documento pede indiciamento de ministros do STF e intervenção no RJ.

Compartilhe
WhatsApp
Relatório da CPI do Crime liga facções a lavagem de dinheiro no mercado financeiro

O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), expõe a profunda conexão entre facções criminosas e o sistema financeiro formal. Com cerca de 220 páginas, o documento detalha como grupos criminosos utilizam criptoativos e o mercado financeiro para lavar dinheiro obtido ilegalmente.

Vieira destacou o caso do Banco Master como um exemplo claro dessa simbiose, onde facções como o PCC, em conjunto com operadores financeiros, lavam bilhões de reais, corrompem agentes públicos e capturam partes do Estado. O relatório aponta a lavagem de dinheiro como o principal motor do crime organizado, que se infiltra em setores como tabaco, ouro, combustíveis, imóveis e bebidas, além de usar fintechs e criptomoedas.

Diante dessa realidade, o relator defende que o combate ao crime deve ir além da ostensividade policial, atuando nas cadeias econômicas que financiam essas estruturas. A CPI também abordou a necessidade de maior controle sobre armas e munições, criticando a flexibilização de regras que facilitou o desvio para criminosos, e o papel das redes sociais no aliciamento e exploração de crianças e adolescentes, com destaque para o aumento de denúncias de abuso sexual online.

O documento ressalta ainda o grave déficit de vagas no sistema prisional, que se tornou um centro de comando para facções, e o efetivo reduzido das forças de segurança, especialmente da Polícia Federal. O relatório recomenda o indiciamento de ministros do STF e do procurador-geral da República no caso Banco Master, além de sugerir a intervenção federal no Rio de Janeiro devido à infiltração do crime no poder público local.

Leia também