Caio Resende, presidente da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), declarou em entrevista ao videocast Toca e Passa, do O GLOBO, que os clubes brasileiros "nunca estiveram tão frágeis financeiramente", apesar do recente boom de receitas. Segundo Resende, as dívidas dos clubes saltaram de R$ 7,8 bilhões em 2022 para quase R$ 14 bilhões em 2024, um aumento de quase 80%, enquanto as receitas cresceram 35%.
O dirigente, doutor em economia e especialista em regulação, explicou que a ANRESF é o órgão autônomo responsável por fiscalizar as finanças dos clubes e aplicar o regulamento de fair play financeiro. Ele destacou que, diferentemente de tentativas anteriores, a implementação atual contou com a participação ativa de 34 dos 40 clubes das Séries A e B, resultando em um consenso.
Resende admitiu que a judicialização é um risco, mas demonstrou confiança na estrutura administrativa do regulamento. Ele detalhou que dívidas anteriores a 1º de janeiro de 2024 têm um ano de transição para serem regularizadas, enquanto novas obrigações financeiras não têm prazo e estão sujeitas a sanções que vão desde advertências e multas até transfer ban, dedução de pontos, rebaixamento e perda de licença.
Sobre casos específicos como o do Vasco, Resende explicou as regras de multipropriedade, que visam impedir o controle de dois clubes na mesma competição para garantir a integridade e credibilidade dos campeonatos. A agência analisa mudanças societárias e pode exigir o desfazimento de operações que configurem conflito.
Ele também abordou a questão de investidores que injetam capital e depois retiram, afirmando que o regulamento de fair play financeiro protege os clubes brasileiros ao exigir que os aportes de capital sejam feitos como aumento de patrimônio líquido, garantindo a sustentabilidade a médio e longo prazo.
A entrevista também tocou no problema de redes multiclubes e o fluxo de dinheiro entre elas, especialmente quando um dos países envolvidos não possui um sistema de sustentabilidade financeira robusto. Resende salientou que o novo regulamento brasileiro impede que essa prática prejudique os clubes nacionais, que antes ficavam em desvantagem.