A Receita Federal pretende agilizar o pagamento da restituição do Imposto de Renda 2026. A estratégia de atrasar a entrega da declaração, que antes rendia juros pela Taxa Selic, pode não ser vantajosa neste ano. A estimativa é que 40% das restituições, o equivalente a nove milhões de contribuintes, sejam pagas já no primeiro lote, em 29 de maio, data limite para o envio do documento.
Até 11 de abril, a Receita já havia recebido 10,6 milhões de declarações, sendo que 76% delas apresentaram direito a restituição. A expectativa para este ano é de 44 milhões de declarações, com 60% (cerca de 26 milhões) resultando em valores a serem devolvidos aos contribuintes.
Tradicionalmente, muitos deixavam para entregar a declaração no final do prazo. Isso ocorria porque a restituição era corrigida pela Taxa Selic, que atualmente está em 14,75%. Richard Domingos, diretor tributário da Confirp Contabilidade, explica que o rendimento podia superar aplicações conservadoras e até mesmo a poupança, dependendo da taxa de juros.
No entanto, a Receita Federal anunciou que pretende mudar essa dinâmica. O segundo lote de restituição também deve contemplar outros 40% dos contribuintes com direito a reembolso. Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, afirmou que o órgão está avançando para um modelo de restituição automática, visando que contribuintes que não caíram na malha fina não precisem esperar meses para receber.
Enquanto a declaração ficava pendente, o valor a ser restituído rendia juros pela Selic, com a vantagem de não haver cobrança de impostos sobre essa correção. Para se ter uma ideia, até 10 de abril, a poupança rendeu 2,66%, enquanto investimentos atrelados à Selic renderam 3,8%.