A casa onde o ídolo do futebol Diego Maradona viveu na infância, em Villa Fiorito, na periferia de Buenos Aires, foi transformada em um refeitório popular. No mesmo pátio de terra onde Maradona viveu privações, voluntários servem pratos de comida quente e distribuem roupas para moradores carentes do bairro.
Dezenas de murais de Maradona, que morreu em 2020, adornam o bairro. A iniciativa busca honrar a memória do craque, oferecendo amparo a quem mais precisa.
"Diego diria que há muita fome e que é preciso ajudar, há muitas necessidades, demais", disse Diego Gavilán, morador que frequenta o local em busca de alimento. Ele relata as dificuldades enfrentadas com o desemprego e a queda no valor de materiais recicláveis.
Apesar de estatísticas oficiais indicarem uma queda na pobreza com a redução da inflação desde o início do governo de Javier Milei, a economia familiar segue em crise. O fechamento de empresas e a precarização do trabalho afetam principalmente a economia popular.
O padre Leonardo Torres, um dos idealizadores do projeto, relembra histórias de Maradona sobre sua mãe, que deixava de comer para alimentá-lo. "Queremos que muitas 'Totas' e muitos 'Diegos' vão embora de barriga cheia", afirmou.
Rosa, mãe de vários filhos e desempregada, vê na iniciativa uma forma de honrar o ídolo. "Diego, para os argentinos, é uma paixão, é um ídolo", resume.