O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras de alimentos impactou diretamente o preço do feijão, com elevações registradas em todas as 27 capitais do Brasil, conforme levantamento do Dieese e da Conab. O grão carioca, um dos mais consumidos, apresentou aumentos que chegaram a 21,48% em Belém, enquanto o feijão preto teve alta de até 7,17% em Florianópolis. A dificuldade na colheita e a redução da área de plantio devido ao clima desfavorável são os principais fatores para a escassez e o aumento de custos.
A alta do feijão, juntamente com os aumentos na batata, tomate e carne bovina, contribuiu para a elevação do custo da cesta básica na maioria das capitais. São Paulo segue com o valor mais alto, R$ 883,94, enquanto Aracaju registra a cesta mais barata, a R$ 598,45. Em contrapartida, o açúcar apresentou queda de preço em 19 cidades devido ao excesso de oferta.
O estudo também revela que o tempo médio de trabalho para adquirir a cesta básica em março foi de 97 horas e 55 minutos, superior às 93 horas e 53 minutos de fevereiro. Para uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal em março seria de R$ 7.425,99, equivalente a 4,58 vezes o valor vigente. O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Lüders, explicou que a produção de feijão foi severamente prejudicada pelas chuvas, levando a uma colheita menor e, consequentemente, a preços mais altos, afetando a rentabilidade dos produtores.