O preço da cesta básica subiu em todas as 27 capitais brasileiras, impulsionado principalmente pelo aumento expressivo no valor do feijão, que sofreu com o excesso de chuvas nas regiões produtoras. O grão teve alta em todo o território nacional, com variações que chegam a 21,48% em Belém para o feijão carioca e 7,17% em Florianópolis para o feijão preto. A dificuldade na colheita e a redução da área de plantio foram apontadas como causas principais para a restrição na oferta.
São Paulo segue com o valor mais alto para a cesta básica, R$ 883,94, enquanto Aracaju registra o menor preço médio, R$ 598,45. Além do feijão, batata, tomate, carne bovina e leite também apresentaram alta. Em contrapartida, o açúcar teve queda nos preços em 19 cidades devido ao excesso de oferta.
O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), Marcelo Lüders, explicou que o clima prejudicou a produção em estados como Paraná e Bahia, afetando a quantidade de sacas colhidas. A expectativa é de que a safra irrigada, a partir de agosto, possa trazer uma queda nos preços do feijão carioca, enquanto o feijão preto, com mais estoque, pode se tornar mais caro que o carioca em 2026.
O estudo do Dieese e da Conab também aponta que o tempo médio de trabalho para adquirir a cesta básica em março foi de 97 horas e 55 minutos. O valor ideal do salário mínimo para uma família de quatro pessoas, considerando as despesas básicas, seria de R$ 7.425,99 em março, o que representa 4,58 vezes o mínimo vigente.