O excesso de chuvas nas principais regiões produtoras impactou a colheita e elevou o preço do feijão em todo o país. A alta do grão, um dos alimentos essenciais da cesta básica, contribuiu para o aumento geral dos custos de aquisição em todas as 27 capitais brasileiras, segundo levantamento do Dieese e da Conab. São Paulo registra a cesta mais cara, a R$ 883,94, enquanto Aracaju tem o menor valor médio, R$ 598,45.
Além do feijão, batata, tomate, carne bovina e leite também tiveram alta. A produção de feijão foi prejudicada por dificuldades na colheita e redução da área plantada, com consequências diretas na oferta e no preço. Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), explica que o clima afetou a produção no Paraná e na Bahia, resultando em menor quantidade colhida por agricultores.
Em março, o trabalhador com salário mínimo precisou de cerca de 109 horas para custear a cesta básica nas capitais. Apesar de o tempo necessário ter diminuído em relação ao ano passado, o comprometimento da renda líquida com alimentação básica aumentou de 46,13% em fevereiro para 48,12% em março.
O Dieese também aponta que o valor ideal do salário mínimo para suprir as necessidades básicas de uma família de quatro pessoas, considerando a cesta mais cara (São Paulo), seria de R$ 7.425,99 em março, 4,58 vezes o mínimo vigente. A análise compara o custo da cesta e o salário mínimo líquido, evidenciando que, em média, 48,12% da renda líquida foram comprometidos com a compra de alimentos essenciais em março.