O Congresso argentino aprovou nesta quinta-feira (09/04/2026) uma reforma na Lei das Geleiras, permitindo que as províncias redefinam áreas de proteção ambiental para facilitar a exploração mineral. A decisão, liderada pelo presidente Javier Milei, recebeu 137 votos a favor e 111 contra na Câmara dos Deputados, após aprovação prévia do Senado.
Milei celebrou a mudança como um avanço para o "verdadeiro federalismo ambiental" e a "exploração inteligente e soberana de recursos", afirmando que "ambientalistas determinados a impedir o progresso da República Argentina perderam novamente". A reforma, em vigor desde 2010, visa atrair investimentos para a mineração de cobre, lítio, ouro e prata.
A aprovação contou com o apoio de aliados de direita e parlamentares de províncias andinas, ricas em recursos minerais e com grande concentração de geleiras. Paralelamente, milhares de pessoas protestaram nas ruas com o lema "Água vale mais que ouro", e organizações ambientalistas anunciaram que contestarão a lei judicialmente.
Ambientalistas alertam que a medida agrava a crise climática e coloca em risco as reservas hídricas do país. Um levantamento de 2018 indicou que a Argentina possui cerca de 17.000 massas de gelo. No noroeste do país, essas geleiras já encolheram 17% na última década, segundo o Instituto Argentino de Pesquisas de Neve e Gelo (IANIGLA).
A oposição argumenta que a reforma é inconstitucional, contraria tratados internacionais e ameaça o abastecimento de água para 70% dos argentinos, além de beneficiar "grandes empresas transnacionais de mineração", segundo Enrique Viale, presidente da Associação Argentina de Advogados Ambientalistas.
A projeção do Banco Central argentino aponta para uma triplicação das exportações de minério até 2030. A medida representa mais uma vitória legislativa para Milei, que busca impulsionar a capacidade extrativista do país, similar ao modelo chileno.