O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tratar o Brasil como uma "colônia chinesa", em entrevista concedida ao jornal britânico Financial Times. Flávio Bolsonaro criticou a política externa de Lula, que, segundo ele, fecha portas para os Estados Unidos e abre o país para a China.
A declaração surge após o senador defender, em outra ocasião, o papel estratégico do Brasil no fornecimento de minerais críticos aos Estados Unidos. A fala gerou reações de políticos da base governista, que acusaram Flávio de defender a submissão do Brasil aos interesses americanos.
Na entrevista ao Financial Times, Flávio Bolsonaro foi descrito como uma figura central na tentativa de retorno dos Bolsonaro ao poder. Ele se apresentou como um pré-candidato competitivo para as eleições presidenciais de 2026, propondo um governo "mais jovem, moderno e com mais energia", em contraponto às "ideias ultrapassadas" de Lula.
A reportagem do FT também destacou um tom mais moderado de Flávio Bolsonaro em comparação ao de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, citando, por exemplo, a adesão pública à vacina contra a Covid-19. No entanto, o jornal apontou semelhanças na plataforma política, com posições conservadoras em temas sociais e de segurança, e visões de centro-direita na economia.
O Financial Times relembrou a campanha de Flávio Bolsonaro para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2016, que foi considerada um "desastre", e levantou dúvidas sobre sua capacidade de suportar a pressão de uma corrida presidencial.
Anteriormente, durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) no Texas, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil poderia ser "a solução" para reduzir a dependência americana de terras-raras e minerais críticos provenientes da China.
As críticas de Flávio Bolsonaro à política externa de Lula foram rebatidas pela ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), que classificou a postura do senador como "prejudicial ao país". A deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP) chegou a acionar a Procuradoria-Geral da República para apurar possíveis crimes contra a soberania nacional.
Flávio Bolsonaro tem intensificado sua agenda internacional como parte de uma estratégia para se posicionar como um nome relevante da direita para a disputa presidencial de 2026.